Passando de 32 para 41 milhões de euros e indo ao encontro das empresas
Governo aumenta em 9 milhões de euros concurso para obras de ampliação do cais do porto de Ponta Delgada
O Governo dos Açores aumentou em nove milhões de euros o concurso público de ampliação do cais do porto de Ponta Delgada, passando de 32 milhões para 41 milhões de euros, segundo o anúncio publicado ontem no Diário da República. Numa entrevista ao Correio dos Açores, o Presidente da Portos dos Açores, Miguel Costa, explicou o que se pretendia fazer por 32 milhões de euros. Agora aparece em concurso público o valor de 41 milhões de euros.
Foi publicado, na II Série do Diário da República, o anúncio do concurso da empreitada de “Reperfilamento do cais -10m (ZH), repavimentação do terrapleno portuário, beneficiação das redes técnicas nele integradas e dragagem da bacia portuária do Porto de Ponta Delgada”, pelo preço base de 41 milhões de euros e um prazo de execução de 36 meses, após a reformulação do respectivo procedimento.
Esta obra irá melhorar, de forma significativa, a operacionalidade e a capacidade no porto, com o aumento muito significativo na área do terrapleno, que passará a ter mais de 34 mil metros quadrados e com o avanço de cais em 25 metros em relação à frente actual, que passará a dispor de 380 metros lineares de cais.
Para além disso, irá permitir a operação de navios de contentores “em linha” e no mesmo terrapleno, diminuindo o número de movimentações e ciclos de transporte e, consequentemente, melhorar a produtividade e com menor desgaste para os equipamentos do porto.
A empreitada contempla, também, a dragagem de fundos da bacia para as respectivas cotas de serviço, a colocação de pavimento novo em toda a área portuária, desde a entrada da portaria do porto até ao cais -12 (ZH), a colocação de novas tampas para as caleiras técnicas, a edificação de infra-estruturas de abastecimento de energia ao parque de contentores e de infra-estruturas de iluminação de todo o terrapleno, incluindo a introdução de tecnologia LED.
Englobada na empreitada encontra-se também a construção do novo edifício das ‘operações portuárias’ e bem assim a instalação de novas redes de abastecimento de águas e esgotos, combustíveis e drenagem pluvial.
Este investimento integra a candidatura da “Requalificação do Porto de Ponta Delgada, ilha de São Miguel”, estando assegurado o financiamento comunitário pelo POCI-COMPETE 2020. Nesta candidatura estão incluídas mais duas obras, concretamente o “Reforço do Manto de Protecção do Molhe Principal do Porto de Ponta Delgada”, em curso e o “Reordenamento da Inserção da Avenida Kopke com o Cais Comercial de Ponta Delgada e Lado Sul do Forte de São Brás”, já concluído.
O prazo para apresentação das propostas no âmbito do concurso público agora lançado é de 45 dias.
O concurso dos 32 milhões de euros
Num primeiro concurso, a ‘Portos dos Açores’ pretendia efectuar a adjudicação da obra por 32 milhões de euros que iria também permitir um parqueamento de contentores de cerca de 40%. Desde logo, o antigo e velho ‘edifício da Alfândega’ será demolido e será acrescentado um parque de contentores. O cais ‘- 10’ será ampliado em 25 metros para dentro da baía e mais 15 metros no sentido da cabeça do molhe, onde será contemplada uma rampa para navios ró-ró. “E, portanto, aqui ganhamos um terrapleno considerável”, disse, na altura, o Presidente da ‘Porto dos Açores’, Miguel Costa ao Correio dos Açores.
Nas obras de adjudicação de 32 milhões de euros, estava prevista a substituição de todos os cabeços de amarração do porto de Ponta Delgada e será construído um novo edifício para serviços junto à GNR. Nesta nova zona será, igualmente, contemplado um conjunto de serviços que estão, actualmente, no antigo edifício das operações portuárias (conhecido pelo edifício da Alfândega).
Estavam enquadradas no projecto de adjudicação da obra de 32 milhões de euros infra-estruturas técnicas de substituição integral de todo o sistema de electricidade, não só o abastecimento eléctrico ao porto, mas também a iluminação portuária.
Ao nível da electricidade, o que está considerado é um conjunto de instalações e identificação de zonas para construção de ‘PTs’ porque, como afirma Miguel Costa,“só para ter uma ideia, um PT para uma grua desta dimensão é exactamente um PT igual ao necessário para todas as Portas do Mar”.
“Também posso adiantar”, disse, “que uma linha de abastecimento eléctrico para gruas em toda a extensão do porto custa aproximadamente 6 milhões de euros. Apenas uma linha de abastecimento eléctrico.”
Todos estes equipamentos, como realçou, “vão-se aperfeiçoando” e “cumprem, escrupulosamente, as regras relativas à emissão de gases. É isso que é habitual em termos de equipamentos que funcionam no dia-a-dia mas, naturalmente, o futuro está aí à porta e há necessidade de acompanhar esta relação com as questões de “operação limpa”. Todas as infra-estruturas também ficaram asseguradas nesta obra dos 32 milhões de euros.
Estão também projectadas infra-estruturas para novas condutas para os combustíveis.
E está programada no projecto uma requalificação de todo o piso do porto de Ponta Delgada. E esta requalificação do piso, segundo o presidente da ‘Portos dos Açores’, permitirá ampliar o tempo útil de todos os equipamentos que operam na infra-estrutura portuária, o que é uma das “premissas” da empresa.
Segundo afirmou, o processo de adjudicação da obra de 32 milhões de euros para o porto de Ponta Delgada prevê também a aquisição de três a cinco sofisticados empilhadores que serão mais manobráveis no piso requalificado de todo o cais do porto.
Neste momento, anunciou, “estamos a preparar um procedimento só para aquisição deste tipo de equipamentos. Podemos estar a falar só para o aeroporto de Ponta Delgada de 3 a cinco empilhadores, necessários nesta fase, contando também com os que já existem. Este é um complemento que deve ser conjugado com a alteração que a nova obra vai garantir, que é a alteração de pavimentos”, disse. “Todo o pavimento do porto comercial do porto de Ponta Delgada vai ser corrigido, melhorado. E os empilhadores irão trabalhar em outras condições. Trabalhar com estes pavimentos danifica claramente as máquinas. E, portanto, haverá a conjugação do ‘timing’ entre a requalificação do pico do cais do porto e a aquisição dos novos empilhadores”.
CA-/MN

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