Nasceu no ano de 1957, actualmente com 62 anos, nasceu na Freguesia de São José, na Rua de São Miguel, presta serviços na RDP/Antena 1 e leva todos os fins-de-semana, como locutor/relatador, há mais de trina anos, via rádio, os relatos de um jogo de futebol.
Foi na patinagem que começou a praticar desporto no ringue Margarida Cabral que era perto da sua residência. Diga-nos qual o ano que começou a aprender a patinar e em que clube?
“Foi por intermédio da grande patinadora e treinadora Judite Gomes, no ano de 1964 que me educou na patinagem, fruto da experiência que tinha a nível nacional. Depois de uma aprendizagem com ela, de cerca de 3 anos para dominar os patins, ingressei no meu clube de sempre, o CD Santa Clara em 1967/68”.
Como só se treinava uma vez por semana, Floriano contagiava os seus amigos de infância jogando “hóquei de campo “ nas instalações da antiga Legião Portuguesa. Conte-nos como tudo começou?
“Nas instalações da Legião Portuguesa e num recinto terreiro, tive momentos inesquecíveis e foi onde privei mais de perto com Liberal Tomé, António Carlos e do seu vizinho de porta Costa Pereira com uma equipa. Recordo que a Rua de São Miguel tinha uma equipa liderada pelo Rui Martins, mais tarde árbitro e outra da Rua da Vila Nova de Baixo composta pelo Caixinha (já falecido), Levinho e Arnaldo Melo entre outros. Muitos dos nomes atrás referidos com esta aprendizagem de rua, jogaram hóquei em patins no Santa Clara e no União Sportiva”.
Na altura não havia “olheiros”, mas o Floriano foi observado em São Miguel pela sua habilidade e crer que demonstrava dentro do ringue e foi indicado a um clube do continente. Como foi esta sua passagem fora da ilha?
“Estávamos na época 1974/75 e como marcava muitos golos e era possuidor de uma boa técnica individual, o Dr.º Borges Coutinho, na altura já como Presidente no Benfica, recomendou-me e estive 2 anos no continente e no meu clube de sempre”.
“No dia-a-dia do desportista há sempre pessoas que nos marcam pelos seus conselhos e ensinamentos. De certeza que o Floriano conviveu com estas pessoas?
“Estes dirigentes e treinadores muitas vezes são os nossos segundos pais, apoiando, corrigindo as nossas falhas, melhorando o nosso comportamento dentro e fora dos jogos, e treinos. Há sempre pessoas que não esqueço, desde logo o Carlos Tomé (pai), principal impulsionador na formação do Santa Clara e como treinador Fernando Leite, ex-guarda redes do Santa Clara e como treinadores, e já nos seniores, António Martins, Liberal comerciante de Ponta Delgada e Jorge Bradford”.
Lembro que o Floriano ainda muito novo jogava já nos seniores em virtude da sua capacidade técnica e de não haver muitos jogos da formação, isto mesmo antes de ir para o continente, como foram estas experiências?
“Foram noites que mantenho sempre na minha memória até aos dias de hoje. Recordo as grandes noites no Rinque Margarida Cabral, jogando com os rivais União Sportiva e Micalense, não esquecendo jogadores que tiveram muita influência, nessa altura, como homem e desportista, Jaime (GR), Marinho, Zezinho, Hélio Batista e Zé Manuel, assim como Eduardo Jorge, Ninalmon e Castanha (GR)”.
Na vida e no desporto, tens referências e jogos que te marcaram para a vida?
“Recordo com saudade a vinda do Sporting a São Miguel, isto na década de 80 e logo após ter sido campeão europeu pela primeira vez. Joguei contra o Ramalhete, Rendeiro, Sobrinho e Xana e com a grande referência da equipa e do hóquei Português, Livramento. Foi um jogo emotivo no Pavilhão Sidónio Serpa, que estava repleto de amantes do hóquei, e recordo que o Santa Clara esteve a ganhar por 1-0, mas acabou perdendo o jogo por 14-1”.
A década de 80 marcou pela positiva o hóquei micaelense com um torneio internacional e com a mudança da modalidade para o Pavilhão Sidónio Serpa. Foi uma mudança boa?
“Não tenho dúvida nenhuma que foi boa a mudança, já que deixamos de ser uma modalidade que só era praticada entre os meses de Maio e Agosto, altura do Verão, para um período mais longo, passando de um piso de cimento para madeira e coberto. A realização de um torneio internacional trouxe a Ponta Delgada, a Salesiana e o Cascais do continente, e do estrangeiro uma equipa Holandesa e outra da América, além do União Sportiva, União Micaelense e Santa Clara. Atendendo ao grande interesse demonstrado pelo público, houve a necessidade de montar bancadas suplementares, no Pavilhão Sidónio Serpa, que duraram ainda alguns anos e que só foram retiradas aquando das remodelações do pavilhão”.
Do hóquei em patins para o futebol do Santa Clara
Como apareceu o Futebol na vida do Floriano Machado?
“Como os treinos de hóquei na altura eram poucos, senti a necessidade de melhorar mais a minha condição física e aconselhara-me treinar com os seniores do futebol, e assim melhorar a minha condição física, era treinador na altura, o Henrique Ben David. Já naquela altura treinava-se muito a sério no futebol, alternando os dias de treino, entre o antigo Liceu e o Jácome Correia, e num destes dias, fui chamado a integrar uma das equipas por falta de um jogador que naquele dia não compareceu. Como era veloz e com boa técnica individual, o mister Ben David viu em mim um reforço, apostando em mim para integrar o grupo”.
Se é difícil ser bom jogador numa modalidade, praticar o hóquei e futebol ao mesmo tempo, maior foi o desafio. Como consolidou na altura estas duas modalidades?
“Na altura era Presidente do Santa Clara, o Eng.º Dionísio Leite, pessoa que me ajudou muito naquela altura. Assinei o meu primeiro contrato como jogador de futebol com ele, era a pessoa que me levava na sua viatura pessoal dos jogos de futebol para também jogar hóquei. Não foi nada fácil, conciliar estas duas modalidades, mas dado o meu interesse e dedicação, consegui muitas vezes marcar golos que se traduziam em vitórias do Santa Clara no hóquei. Tudo isto foi possível porque o hóquei era praticado nos meses de Verão, só coincidindo com o início da época com o futebol”.
Os anos passaram e Floriano amadureceu, de tal modo, que no futebol do Santa Clara era considerado elemento imprescindível no grupo… que experiências tirou com a passagem do futebol regional para nacional?
“Primeiro tivemos de vencer a prova, que se chamava na altura Taça dos Campeões Açorianos, jogamos contra Marítimo de São Mateus e Fayal Sport, e o Santa Clara venceu esta prova e assim por direito próprio, o clube subiu à III Divisão, pela primeira vez. Nas bancadas, recordo que o público comparecia em bom número aos jogos incentivando o Santa Clara às vitórias, pois só assim conseguíamos chegar longe”.
O melhor e o pior no futebol?
“O melhor foi ser campeão açoriano pelo CD Santa Clara e a subida à III Divisão. O pior, a única lesão que tive como desportista foi ao serviço do CD Santa Clara num jogo de futebol contra Sport Lisboa e Olivais, na época 85/86, jogo que esse que fez-me perder a audição do ouvido esquerdo, provocado por um contacto (mais duro) de um adversário e que, na altura, me deixou inconsciente”.
“Mestre nas artes e jeitoso em todas as partes”
Sendo na altura vice-presidente e coordenador/treinador da formação do Caldeiras Hóquei Clube os apoios financeiros foram suficientes para o desenvolvimento do hóquei?
“Os objectivos que qualquer director ou treinador quer para o seu clube são os apoios financeiros à formação que são insuficientes, para uma modalidade que necessita de muito material (patins, sticks e caneleiras) e que são muito dispendiosos na sua aquisição. São os pais, que não têm possibilidades financeiras na aquisição do material de jogo, que muitas vezes têm de as assumir, com muito sacrifício. A formação de um atleta de hóquei patins torna-se muito cara pelas razões atrás mencionadas, dificultando assim o aparecimento de novos clubes e jogadores que tardam em aparecer”.
Que experiência recolheu quando teve de ensinar a patinar os jovens no Caldeiras Hóquei Clube, na Ribeira Grande?
“A minha experiência foi curta, em virtude de não estar de acordo com as exigências governativas, pois os apoios são dados se houver competição e os jovens da Ribeira Grande não tinham estas competências. Penso, que se tem de repensar estes apoios e também ajudar os clubes a criar academias ou fundações com o objectivo de ensinar a patinar e mais tarde poderem competir”.
O hóquei em patins nos dias de hoje
Se dependesse do Floriano Machado o que mudava no hóquei patins praticado em São Miguel?
“Na aprendizagem do hóquei patins, primeiro temos muitos jovens atletas, que precisam de ter mais competências na patinagem, ou seja, tem de haver mais equilíbrio e só depois o stick e a bola no jogo.
Na competição e nos seniores ainda falta alguma coisa, muito embora já temos jogadores açorianos cobiçados por clubes do continente, fruto das suas participações a nível nacional. Infelizmente, os clubes só pensam é em «Importar» para assegurar a manutenção das suas equipas nas provas nacionais esquecendo a formação do seu clube”.
José Araújo/CA/MN