Igreja reconhece que feriado valoriza celebração
Depois de ter sido suspenso durante três anos por imposição
do plano de assistência financeira a Portugal, que obrigou à suspensão de quatro
feriados, o feriado de Corpo de Deus é reposto este ano. A suspensão dos
feriados religiosos foi resultado de um “entendimento excepcional” entre a Santa
Sé e o Governo português, em 2012, com uma duração máxima prevista de cinco
anos.
No início de 2016, o Governo anunciou a reposição dos feriados e o
início de conversações entre o Estado Português e a Santa Sé em relação aos
feriados religiosos então suprimidos
O artigo terceiro da Concordata de 2004,
assinada entre Portugal e a Santa Sé, indica que os dias “festivos católicos”,
além dos domingos, “são definidos por acordo”.
O artigo 28.º prevê que o
conteúdo do acordo diplomático “pode ser desenvolvido por acordos celebrados
entre as autoridades competentes da Igreja Católica e da República
Portuguesa”.
Solenida de Corpo de Deus em Ponta Delgada e
Povoação
Em Ponta Delgada, na Igreja Matriz, a Solenidade do Corpo
de Deus faz convergir as paróquias da cidade para a Igreja Matriz de São
Sebastião onde será celebrada a Eucaristia às 18h00 seguida de procissão. Antes,
pelas 16h00, haverá um encontro de acólitos no salão paroquial da Matriz. A
iniciativa junta todas as paróquias da ouvidoria e celebra-se na igreja mais
central de Ponta Delgada seguindo-se uma procissão com giro curto. São
convidados todos os sacerdotes, paróquias, Capelanias, Comunidades Religiosas,
Confrarias do Santíssimo, Movimentos e Obras de Apostolado, romeiros,
escuteiros, as crianças da Primeira Comunhão e seus pais, e demais fiéis a
participarem na Eucaristia e na Procissão.
Como é habitual, na Povoação, a
celebração do Dia do Corpo de Deus é celebrada com pompa e circunstância, tem um
profundo enraizamento popular, desde logo porque está associada ao feriado
municipal. Este ano, esta festa decorre num contexto celebrativo que assinala os
cem anos de criação dessa ouvidoria. Mas este ano o programa situa-se entre o
profano e o religioso que resultou num cartaz, diz a autarquia.

Hoje, às 12
horas dar-se-á início à celebração festiva da Eucaristia com as primeiras
Comunhões na Igreja da Matriz da Povoação. Ao final da tarde, pelas 18 horas,
realiza-se a procissão em honra do Corpo e Sangue de Cristo, acompanhada pelas
Bandas Filarmónicas do Concelho que desfilarão, em cortejo, pelas principais
artérias da Vila, enfeitadas a preceito com os seus ricos tapetes de flores,
verduras e aparas de pinho tingidas que, todos os anos, chamam milhares de
visitantes à sede do Concelho. Os tapetes de rua são uma tradição e manifestação
artística popular realizada por fiéis da Igreja Católica, confeccionados para a
passagem da procissão de Corpus Christi. A tradição da confecção do tapete
surgiu em Portugal e veio para o Brasil com os colonizadores. Os desenhos
utilizados são variados, mas enfocam principalmente o tema Eucaristia.
Ainda
neste dia, mas já depois do cortejo religioso, pelas 21h30, realiza-se o
concerto da Sociedade Musical Nossa Senhora da Penha de França, de Água Retorta,
no Jardim Municipal, e pelas 22h30 será a vez da actuação da Sociedade Musical
Sagrado Coração de Jesus, do Faial da Terra.
No dia 27, Sexta-feira, pelas
18h00, haverá uma celebração da eucaristia na Igreja da Matriz da Povoação. Mais
tarde, a partir das 21h30, os Trolhas irão actuar no Jardim Municipal e a noite
terminará com os cantadores ao desafio José Eliseu e Tiago Clara, da ilha
Terceira, Jorge Rita, da Ribeira Quente e ainda João Luís Mariano, das
Capelas.
O dia eucarístico dedicado especialmente aos jovens acontecerá no
Sábado, dia 28 de Maio. À noite pode-se assistir ao concerto da banda povoacense
“Acoustic Souls” que irá actuar, pelas 21h00, no Jardim Municipal e ficará
responsável por abrir a prestação do artista internacional “Rouxinol Faduncho”.
As celebrações em honra do Corpo de Deus na Povoação terminarão no dia 29,
Domingo, pelas 20h000, com o concerto do Orfeão Edmundo Machado de Oliveira, na
Igreja da Matriz da Povoação e depois, pelas 22h30, assistir-se-á ao concerto de
encerramento das festividades realizado pela Sociedade Filarmónica Marcial
Troféu, no Jardim Municipal.
A ouvidoria da Povoação está satisfeita com a
reposição do feriado do Corpo de Deus por ser uma festa grande de todo o
Concelho, não só em termos religiosos mas também em termos civis dado que há um
voto expresso da Câmara que define o dia da Solenidade do Corpo de Deus como dia
festivo.
O ouvidor, padre Ricardo Pimentel, referiu ser “É muito importante
pois é a festa verdadeiramente abrangente de toda a ouvidoria, na qual
participam todas as paróquias com a Cruz de cada um delas, precedida do
estandarte transportado por dois anjos”, relembra o sacerdote sublinhando que
“até pelo aprumo e colorido dos tapetes de flores, esta festa atrai muita gente
à Vila da Povoação”. De resto, a Povoação é a única Ouvidoria que tem esta festa
como a principal. Este ano será pregada pelo padre Tiago Tedeu, que se encontra
no Faial.
Celebração remonta ao Século XIII
Corpus Christi (expressão latina que significa Corpo de
Cristo ) é um evento baseado em tradições católicas realizado na Quinta-feira
seguinte ao Domingo da Santíssima Trindade, que, por sua vez, acontece no
Domingo seguinte ao de Pentecostes. É uma “Festa de Guarda” onde a participação
da Santa Missa neste dia é, para os católicos, obrigatória, na forma
estabelecida pela conferência episcopal do país respectivo.
A procissão pelas
vias públicas, quando é feita, atende a uma recomendação do Código de Direito
Canônico (cânone 944) que determina ao bispo diocesano que a providencie, onde
for possível, “para testemunhar publicamente a adoração e a veneração para com a
Santíssima Eucaristia, principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de
Cristo.” É recomendado que, nestas datas, a não ser por causa grave e urgente,
não se ausente da diocese o bispo (cânone 395).
A origem da Solenidade do
Corpo e Sangue de Cristo remonta ao século XIII. O papa Urbano IV, na época o
cônego Tiago Pantaleão de Troyes, arcediago do Cabido Diocesano de Liège, na
Bélgica, recebeu o segredo da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon, que
teve visões de Cristo demonstrando desejo de que o mistério da Eucaristia fosse
celebrado com destaque. Por volta de 1264, em uma cidade próxima a Orvieto (onde
o já então papa Urbano IV tinha sua corte), chamada Bolsena, ocorreu o Milagre
de Bolsena,[2] em que um sacerdote celebrante da Santa Missa, no momento de
partir a Sagrada Hóstia, teria visto sair dela sangue, que empapou o corporal
(pano onde se apoiam o cálice e a patena durante a Missa). O papa determinou que
os objetos milagrosos fossem trazidos para Orvieto em grande procissão em 19
junho de 1264, sendo recebidos solenemente por Sua Santidade e levados para a
Catedral de Santa Prisca. Esta foi a primeira procissão do Corporal Eucarístico
de que se tem notícia. A festa de Corpus Christi foi oficialmente instituída por
Urbano IV com a publicação da bula Transiturus em 8 de Setembro de 1264, para
ser celebrada na Quinta-feira depois da oitava de Pentecostes. Para um maior
esplendor da solenidade, desejava Urbano IV um Ofício para ser cantado durante a
celebração. O Ofício escolhido foi composto por São Tomás de Aquino, cujo título
era Lauda Sion (Louva Sião). Este cântico permanece até a actualidade nas
celebrações de Corpus Christis.
O decreto de Urbano IV teve pouca
repercussão, porque o papa morreu em seguida, menos de um mês depois da
publicação da bula Transiturus. Mas se propagou por algumas igrejas, como na
diocese de Colônia, na Alemanha, onde Corpus Christi é celebrada desde antes de
1270. A procissão surgiu em Colônia e difundiu-se primeiro na Alemanha, depois
na França e na Itália. Em Roma, é encontrada desde 1350.
A Eucaristia é um
dos sete sacramentos e foi instituído na Última Ceia, quando Jesus disse: “Este
é o meu corpo... isto é o meu sangue... fazei isto em memória de mim”. Segundo
Santo Agostinho, é um memorial de imenso benefício para os fiéis, deixado nas
formas visíveis do pão e do vinho. Porque a Eucaristia foi celebrada pela
primeira vez na Quinta-Feira Santa, Corpus Christi se celebra sempre numa
quinta-feira após o vinho sangue de Jesus Cristo, em toda Santa Missa, mesmo que
esta transformação da matéria não seja visível.
Corpus Christi é celebrado 60
dias após a Páscoa, podendo cair, assim, entre as datas de 21 de Maio e 24 de
Junho.
Antiga tradição papal
No ano da abertura do II Concílio do Vaticano (1962), o
Papa João XXIII retomou a antiga tradição da procissão papal do Corpo de Deus,
em Roma. Interrompida em 1870 aquando da perda dos Estados Pontifícios, nos
últimos 90 anos só em 1933 — Ano comemorativo do centenário da Redenção — e, em
1950 — Ano Santo — é que esta procissão se realizou. Na procissão de 1962, o
Papa convidou os cardeais, bispos e todo o clero de Roma para nela se
incorporarem, nomeadamente os membros da Comissão Central Pré-Conciliar que na
véspera da festa do «Corpus Christi» tinham participado nos últimos trabalhos
preparatórios do Concílio. “Vinte e sete cardeais, mais de duzentos bispos e
cerca de quatro mil sacerdotes, religiosos e seminaristas tomaram parte na
procissão que saiu da Basílica de São Pedro às 18 horas”, (Boletim de Informação
Pastoral, Nº 17, pag 6-7). A procissão - durou cerca de duas horas — circundou a
vasta Praça de São Pedro junto à colunata de Bernini e contou com milhares de
fiéis, no interior da praça e nas ruas vizinhas. Uma delegação especial do
governo italiano, membros do Corpo Diplomático e outras entidades oficiais
estiveram presentes na procissão do Corpo de Deus no ano da abertura do II
Concílio do Vaticano. Segundo o órgão de comunicação citado, esta “foi uma das
mais esplendorosas cerimónias religiosas realizadas ultimamente no Vaticano”. Na
alocução feita no encerramento da procissão, João XXIII realçou que “a presença
eucarística de Cristo é motivo de alento para os cristãos e para a Igreja” e é
também “símbolo e penhor da unidade do Corpo Místico do Senhor, tão ardentemente
pedida ao Pai na última Ceia, e de que o Concílio convocado será manifestação e
convite” (Cf. BIP, Nº 17). Com o II Concílio do Vaticano à porta, a Igreja
preparava-se para este grande acontecimento. No editorial do «Boletim de
Informação Pastoral», Nº 17, faz-se referência às diversas atitudes que os
cristãos podem ter durante a preparação do Concílio, mas “uma das menos cristãs
seria a de procurar fazer propaganda de algumas ideias para serem adotadas pelos
padres do Concílio”. “Querer influenciar as decisões conciliares mediante
processos de técnica psicológica, é negar o valor sobrenatural do Concílio que,
embora envolva realidades psicológicas, as transcende pela ação do Espírito que
sopra onde e como quer”, escreve o editorialista. A próxima assembleia magna,
como novo Pentecostes, exige “uma preparação pela caridade, pela oração, pela
esperança no dom de Deus que será dado à Igreja”.
Orar sempre
Ontem, véspera de Corpo de Deus, o Papa Francisco disse
ontem no Vaticano que os católicos devem rezar “sempre” e não apenas quando
estão em necessidade, como se a oração fosse uma “varinha mágica”.
“Não se
trata de rezar às vezes, quando ‘estou a fim’. Não, Jesus diz que é preciso
‘rezar sempre, sem cessar’”, referiu, perante milhares de pessoas reunidas na
Praça de São Pedro para a recitação do ângelus.
A intervenção partiu de uma
parábola de Jesus, relatada pelos Evangelhos, na qual se dava conta da
insistência de uma viúva para obter justiça, junto de um “juiz desonesto”,
lembrando que a perseverança da mulher “prevaleceu”.
“A oração não é uma
varinha mágica. A oração ajuda-nos a conservar a fé em Deus e entregar-nos a Ele
mesmo quando não compreendemos a sua vontade. Nisto, Jesus – que rezava tanto! –
é um exemplo para nós”, referiu o Papa.
Francisco recordou a oração de Jesus
antes do seu julgamento e crucifixão, na qual se colocava nas mãos do
Pai.
CA/ Joao Medeiros