8.31.2026

Desporto | Motores

CMPD compromete-se a ajudar no regresso do Azores Rallye ao Campeonato de Portugal
“Temos todos de trabalhar para o regresso da Volta à Ilha de São Miguel/Azores Rallye ao Campeonato de Portugal. Do lado da Câmara Municipal de Ponta Delgada vamos fazer tudo para estarmos onde nunca deveríamos ter saído”, foi o desafio lançado pelo vice-presidente a autarquia na apresentação da 59.ª edição da “Volta”.
Pedro Furtado afirmou que “não sendo a melhor a situação económica e financeira da Região, devem as autarquias da ilha serem chamadas à corresponsabilidade de apoiar esta prova. É uma responsabilidade que deveria ter sido assumida há muitos anos. Andamos à margem”.
No discurso, perante dirigentes do Grupo Desportivo Comercial, responsáveis de empresas patrocinadoras, pilotos e de Pedro Pauleta, que fez questão de se associar ao movimento de voltar a elevar o rali, Pedro Furtado voltou a salientar “o projecto, a ambição de tornar esta Região mais visível através do desporto automóvel, porque são os eventos desportivos com esta dimensão que tornam os Açores com mais visibilidade”. Acrescentou o autarca ter sido a intervenção da Câmara de Ponta Delgada “logística, porque o apoio financeiro tem sido menor, mas não nos podemos esquecer, ser elevado o retorno financeiro para o concelho”.
“Crescer passo a passo”
“O investimento para este rali tem de ser acrescido, porque é um factor de dinamismo económico”, referiu, mas também disse que “temos de crescer passo a passo”. “O sonho é regressar ao Campeonato da Europa, mas a prioridade é estarmos em 2027 no Campeonato de Portugal”.
Pedro Furtado lançou um desafio para as restantes autarquias da ilha de São Miguel: “Uma vez que a Câmara de Ponta Delgada está na presidência da Associação de Municípios da Ilha de São Miguel, vamos mentalizar e fazer com que as restantes cinco autarquias entendam e partilhem da nossa visão de apoio ao rali que é da ilha de São Miguel. O concelho de Ponta Delgada tem 28% das provas de classificação”, finalizando o tema com o reforço de a “Câmara de Ponta Delgada liderar o processo de auscultação das outras Câmaras para trazê-las em conjunto com as empresas”.
O vice-presidente aproveitou para responder os que defendem (Movimento Ponta Delgada Para Todos) que a Câmara de Ponta Delgada não deveria apoiar o GD Comercial porque está sediado no concelho da Lagoa, recordando estar em causa “uma entidade com uma importância fundamental na promoção da Região”, sendo, por isso, “irrelevante onde se situa porque o trabalho desenvolvido merece o nosso apoio.”
14 milhões de impacto económico
Filipe Amaral, coordenador do sistema de informação do GD Comercial e oficial da Volta à Ilha de São Miguel, recordou, através das conclusões dos dois estudos de impacto económico da Universidade do Algarve e o mais recente da Universidade dos Açores sobre as provas que contaram para os campeonatos da Europa e de Portugal, que o valor subiu para 14 milhões de Euros. “Em cada 1 Euro investido, o retorno foi de 8,5€”, lembrou.
O membro do clube disse estar a prova do início de Setembro sendo preparada “para que a avaliação técnica da Federação justifique subir o compromisso, estando a equipa a trabalhar na edição de 2027, que comemora 60 anos, como pontuável para o Campeonato de Portugal de Ralis”, esperando que a avaliação da FIA “seja um sucesso porque estamos a preparar a prova como se fosse internacional. Se não tivermos a mentalidade de subir, não vale a pena o esforço de querermos dar o melhor para os Açores. Acreditamos que o Governo Regional vai estar connosco”.
A terminar a intervenção, Filipe Amaral apresentou o que todos os estudo referem: “O Azores Rallye não é uma despesa, mas sim um dos investimentos com maior retorno financeiro, fiscal e reputacional para a Região Autónoma dos Açores”.
Exemplo Pauleta
Luís Pimentel, presidente da Direcção do GD Comercial, iniciou os discursos com o reforço do “espírito vencedor e de ambição da nossa equipa directiva, da equipa técnica e de todos os que colaboram no projecto”, dando o exemplo do futebolista Pedro Pauleta, presente na sala: “Ao sair da ilha, com um esforço redobrado e com vários sacrifícios e um espírito de vitória, atingiu uma carreira ímpar no futebol mundial. É o exemplo dele que pretendemos para a Volta à Ilha. Projecção internacional. Motivação não nos falta”.
O director do Rali disse ser a estrutura a mesma de 2025 porque vai ser avaliada pela Federação Portuguesa de Automobilismo e Karting visando a reentrada, após quatro anos, no campeonato nacional.
António Medeiros aludiu que a única mudança serão as duas passagens de 2,21 km cada no troço Parque Urbano de Ponta Delgada em vez de uma, como já sucedeu no Rali de Ponta Delgada.
As classificativas Tronqueira e Graminhais serão mais curtas do que o habitual, tal como no ano passado. Continuarão a serem percorridas em sentido inverso do que era tradicional. A Tronqueira começa na Povoação e os Graminhais na Algarvia. Esta será a última prova de classificação e que dará pontos extra para o Campeonato dos Açores de Ralis.
Disse o director não haver este ano o risco de cancelar o troço Graminhais como em 2025, porque ainda é dia, o que não sucedeu na edição 58 porque foi disputada no final de Novembro, já com horário de Inverno.
Sem a possibilidade de estarem presentes pilotos do topo nacional, como o micaelense Ruben Rodrigues, porque uma semana depois há um rali do “nacional”, a organização estima a presença entre seis a sete viaturas de tracção total conduzidas por pilotos locais (como Bruno Amaral) e dois ou três de fora dos Açores.
CA-MN

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