8.13.2025

Futebol | Opinião:

Tudo igual no Campeonato de Futebol dos Açores
Quando terminam os campeonatos de futebol dos Açores muitos treinadores e dirigentes queixam-se da necessidade de alterações. Apontam como prioridade mudar o que é impossível. A sempre discutível descida de mais do que dois clubes, podendo atingir os cinco, dependendo dos que baixam do Campeonato de Portugal.
Há outras prioridades. Estender o período de competição para encurtar o longo defeso. Mas essa não é trazida a debate. Os dirigentes da maioria dos clubes não demonstram abertura porque têm de pagar mais um ou dois meses de subsídios aos jogadores.
É uma reestruturação fundamental se pretende melhorias dos praticantes seniores. Mais jogos resultam em maior competitividade. Menos tempo de paragem permite não adquirem peso. Estarem cinco meses inactivos não faz sentido.
No Campeonato de Portugal, prova da responsabilidade da Federação Portuguesa de Futebol, é parecido. O defeso é prolongado, mas reduzido em um mês.
O projecto do campeonato regional não sofre alteração. Começa a meados (dia 16) de Novembro e termina no dia 26 de Abril. Cinco meses com muitas interrupções para se realizarem 18 jornadas. É certo que entre Setembro e Novembro jogarão as provas de ilha. Só que…
A prova disputada numa única fase é a ideal. Defendo a realização do campeonato a partir de Janeiro. Nesta edição seria entre 4 de Janeiro e 17 de Maio, com interrupções pelo Carnaval e pela Páscoa, havendo mais uma paragem se alguma selecção associativa passar à fase final da Taça das Regiões da UEFA, disputada de dois em dois anos.
Seria mais um mês de competição. Terminaria a época em consonância com a maioria das competições nacionais.
Até à interrupção de Dezembro, por ocasião do Natal e do Ano Novo, as equipas do Campeonato de Futebol dos Açores estariam a competir nas provas associativas em conjunto com as outras formações. Os campeonatos de ilha, que se destacam de todas as competições, principiariam na mesma data. No caso da ilha de São Miguel, com o mesmo número de jornadas, ficava concluído na mesma altura do “regional”. O problema do longo defeso aplica-se igualmente aos jogadores daquelas equipas!
Este projecto nunca foi equacionado pelas Associações. Nem para um período experimental. Há razões que a razão desconhece.
As Associações preferem manter o mesmo sistema. Alterar os calendários, conjugar as provas dá mais trabalho de planeamento.
Se não há iniciativa de criar atractividade ao campeonato, muito menos no resto. Esta é mais uma razão de marcarmos passo.

DOIS ADEPTOS ESPECIAIS ESTIVERAM EM BALLYMENA apoiando o Santa Clara no jogo com o Lerne FC, da primeira “mão” da terceira pré eliminatória da Liga Conferência da UEFA.
Por o campo do Lerne FC não estar dotado de relvado natural, mas sim artificial, o jogo foi desviado para o complexo desportivo do Ballymena FC, que, além do campo principal, dispõe de mais três relvados naturais e de um sintético, com ocupação diária não só pelas equipas do clube da Irlanda do Norte mas por anónimos que praticam desporto ao final dos dias.
A cidade de Ballymena fica a 50 minutos da capital Belfast. Tem 28 mil habitantes.
Os cerca de mil adeptos do Lerne FC encetaram uma deslocação de 28 quilómetros para apoiarem a equipa, que chegou a esta fase da prova depois de ter ultrapassado as duas anteriores eliminatórias através do desempate por penaltis.
Só que adeptos especiais do Santa Clara percorreram muitos mais quilómetros.

UM É JOÃO AMARAL. Viajou duas horas de carro para cada lado. Natural da Fajã de Cima, fez parte da claque “Red Boys on Fire” que apoiou vários anos a equipa do Santa Clara nos jogos no Estádio de São Miguel a partir de 2008, ficando célebre com o cântico “quem é tê pá; quem é tê pá”.
Desde aquela altura que Amaral (à direita na foto, com uma camisola antiga) tornou-se fã da equipa de Ponta Delgada. É enfermeiro numa unidade de saúde da República da Irlanda, onde reside há 9 anos. Depois do estágio na Bulgária através do programa “Erasmus”, resolveu trabalhar no Reino Unido. É casado com uma irlandesa.
As saudades da ilha de São Miguel e da família são muitas. Por isso “mata-as” com deslocações três ou quatro vezes por ano.
Acompanha a carreira do Santa Clara. Sempre que está em São Miguel e se há jogo desloca-se ao Estádio. Agora, a jogar perto, não quiz perder a oportunidade. Mal terminou o turno no hospital, pôs-se a caminho. Ia regressar de imediato a casa. Mais duas horas de condução e a concretização de um dia feliz.

O OUTRO É GASPAR PRAIA COUTINHO (à esquerda na foto). Viajou directamente de Lisboa, onde reside, para Belfast. Equipado a rigor esteve no Estádio e, coincidência das coincidências, reencontrou João Amaral. Tinham sido colegas de turma no secundário em Ponta Delgada. Há muitos anos que não se viam.
Gaspar é da família Marquês da Praia. Filho de António Praia, falecido há 14 anos. Era um santaclarense de gema. Vai aos jogos com regularidade quer em Ponta Delgada quer no Continente. Tem tudo programado para estar Quinta-feira no Estádio de São Miguel.

A VERGONHA DOS PRÉMIOS DE CLASSIFICAÇÃO continua. Três clubes de karaté da ilha de São Miguel e o Clube Ilha Azul, da ilha do Faial, que se dedica ao Atletismo, receberam prémios pela obtenção de classificações até ao terceiro lugar em provas nacionais referentes ao ano de 2024 e à época desportiva de 2024/25.
Ao Clube Karaté de Ponta Delgada foram atribuídos 11,40€; ao Centro de Karaté da Lagoa coube 26,22€; o Clube Ilha Azul irá receber 89,30€ (o ano passado teve 15,20€) e o Clube de Karaté Shotokan da Relva (na foto) terá a maior fatia, que é de 95,76€.
Estes prémios de classificação, de subida de divisão e de manutenção são calculados a partir de um valor identificado para todas as modalidades, definido por portaria pelo membro do Governo Regional competente em matéria de desporto, de acordo com os quadros competitivos e os objectivos de desenvolvimento desportivo a prosseguir.
Em resumo, os prémios são irrisórios, que envergonham quem, por aplicação da lei em vigor, determina as quantias a entregar. Segue o que está estipulado. Quem compete em patamares superiores recebe de acordo com a prova em que se classificou. A humilhação recai nas parcas verbas regimentadas.
Como já por algumas vezes escrevi, passou-se do 80 para o 8. Os valores que existiam eram altos mas a crise financeira global de 2007/08, agravada com a portuguesa de 2010 a 2014, obrigaram a uma abrupta descida.
É verdade que nos Açores as finanças andam sempre pelas ruas da amargura porque a gestão tem sido deficiente, essencialmente pelas dívidas das empresas públicas, mas nunca os políticos, começando pelos deputados, tiveram vontade de reverem os prémios, aumentando não para os valores iniciais, mas para parâmetros que não dêem azo a críticas e a gozo.
A continuar assim, tenham a coragem de terminar com este processo. Brincar com os dirigentes que lutam pela sobrevivência dos clubes, que só não mandam por o dinheiro no lixo por respeito, é demais.
Dirigentes que continuam a aguardar o prometido estatuto do dirigente desportivo voluntário nos Açores, que lhes dariam algumas regalias. Foi tão apregoado pelo deputado Paulo Gomes. O Governo caiu e o projecto ficou na gaveta. Já é tempo de lá sair e darem os passos necessários para que se concretize.
por: José Silva

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