A medalha da vida de um grande
clube!
Foi com um grito de «estamos vivos» que Cota Moniz recordou 90 anos
do Lusitânia. A efeméride teve direito a medalha e encheu a sala de ilustres
lusitanistas.
«Não existe futuro sem se conhecer o passado», afirmava há dias Luís Bretão.
E ele também lá estava, antigo presidente na fila da frente, numa noite de
sábado em que a memória recuou bastante no tempo. Reviveram-se 90 anos em 90
minutos, simbolizados na medalha que o Lusitânia lançou para comemorar a
efeméride.
A mesma sala que se encheu de vida para receber as Sanjoaninas, voltou a
encher-se de gente, lusitanistas dos sete costados, para ouvir Cota Moniz, numa
prelecção absolutamente brilhante. Aos dotes de oratória foi juntando momentos
de apurado sentido de humor que não deixaram ninguém indiferente, nem mesmo
aqueles que simpatizaram de imediato com o protagonista do novo livro de Joel
Neto, o tal que decidiu «despachar» o Sporting e mudar-se para o Benfica.
Foi por aqui que começou a cerimónia, leitura que distribuiu dedicatórias e
esgotou os livros disponíveis. Joel leu uma breve passagem e a plateia sentiu-se
passar para outra era, já distante, em que o velhinho municipal vibrava com as
cores de um futebol a preto e branco.
Miguel, o narrador, recebeu de presente um equipamento completo do Lusitânia
e, missa sim, missa não, de mão dada com o pai, desceu até Angra para fazer do
Lusitânia o seu clube. No primeiro dia, 2-0 a uma equipa do Alentejo, entre um e
outro milho frito partilhado com um senhor gordinho. O milho transformou-se mais
tarde em pipocas e a televisão vestiu-lhe o cachecol do Sporting.
Cota Moniz seguiu-se com o discurso na ponta da língua, sempre apoiado nos
dados que José Henrique Pimpão tem na ponta da memória, sejam datas, títulos,
nomes ou qualquer outra coisa que diga respeito ao Lusitânia. Recordou bancadas
repletas de emoção, mas também o casamento interrompido para resolver jogo
complicado.
Teves, Couto, Artur André, João Amaro... Os históricos presentes na sede que,
em 1962, custou 560 contos. O Lusitânia, antes Lusitânia Sport Clube, tem o
mesmo nome que o avião de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, o tal que, pela
primeira vez, cruzou o Atlântico Sul. Estávamos em 1922 e o Lusitânia surge a 24
de Junho, dia de São João, pela união do Angra Sport Clube com o Recreio Sport
Clube. O resto é história, tem 90 anos e muitos títulos, agora eternizados em
medalha.

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