sábado, 27 de julho de 2019

Clemente homenageado na cidade de Lagoa, S. Miguel

Lagoa presta homenagem ao filho que se destacou
Paulo Clemente: o menino que levava tudo à frente
QUEM É ESTE JOVEM - Novembro do ano 2000. Fui cobrir para a RTP-Açores um jogo do torneio de futebol regional inter Associações do escalão de sub 17 anos. A selecção da Associação de Futebol de Ponta Delgada defrontou a congénere da Horta. A partida teve lugar no relvado do Complexo Desportivo das Laranjeiras.
Logo nos primeiros minutos um jovem começou a revelar-se. Rápido e possante começou a desmoronar a frágil defesa adversária. Fui aos apontamentos ver quem se tratava. Clemente, jogador do Clube Operário Desportivo.
Quem desconhecia o menino da Lagoa que deu os primeiros pontapés na bola nas ruas de Santa Cruz e que já se destacava nas equipas jovens do Operário, memorizou a forma como jogava e, sobretudo, como marcava os golos. Foram dois naquele jogo, um deles um “chapéu” ao guarda redes da equipa faialense executado com muita técnica e de muito longe. Ficou-me na retina e na memória.
Antevi que aquele jovem avançado poderia crescer como jogador e não iria ficar por aqui. Assim aconteceu.
AINDA MUITO NOVINHO NOS SENIORES - Com 17 anos de idade o treinador Filipe Moreira chamou-o à equipa sénior do Operário que lutava para evitar a descida da antiga 2.ª divisão nacional. Marcou 11 golos que foram insuficientes para evitar a queda na extinta série Açores da 3.ª divisão nacional.
Jorge Portela chegou para fazer com que o carismático clube da Lagoa regressasse ao escalão acima. Clemente foi um dos obreiros. Foram 21 golos e mais um na Taça de Portugal na prova regional. De novo na 2.ª divisão e já com 19 anos de idade, o jovem lagoense apontou 8 golos.
O treinador algarvio não resistiu a um tentador convite para um projecto de subida no Louletano. Levou consigo Paulo Clemente. Tudo corria às mil maravilhas quando fracturou uma perna. Decorria o dia 25 do mês de Fevereiro de 2006. Foram 6 meses a recuperar e quase um ano para estar ao nível que lhe era peculiar. Mesmo assim apontou 21 golos.
O GOLO NO JAMOR - Até que aconteceu o “clik” na carreira. O golo que apontou ao Futebol Clube do Porto na inesquecível tarde de 16 de Maio de 2010. Entrou aos 80 minutos para render no ataque do Desportivo de Chaves o senegalês Diop e 5 minutos depois marcou o golo de honra dos transmontanos. Uma final da Taça de Portugal que alterou a carreira de Paulo Clemente.
Surgiram convites de clubes da 2.ª Liga com apostas em subidas de divisão e foi assim até terminar a carreira na Santa Clara Açores Futebol, SAD, em Maio passado.
Clemente jogou em todas as divisões do futebol português. Subiu com o Operário da 3.ª à 2.ª divisão; com o Desportivo de Chaves da 2.ª divisão à 2.ª Liga e com o Arouca e com o Santa Clara da 2.ª à 1.ª Liga. Foram 171 golos desde que passou ao escalão sénior.
Com os 62 golos apontados nos jogos dos campeonatos da 2.ª Liga, Paulo Clemente está no lote dos 10 melhores marcadores da história da competição. 
Na Taça de Portugal marcou 23 golos e os 9 golos na Taça da Liga colocam-no com quatro melhor marcador num grupo liderado por Tozé Marreco, com 12 tentos. Como curiosidade, Clemente nunca passou da 1.ª elimintaória desta prova que arranca as épocas das competições profissionais. 
Além de ter estado uma vez na final da Taça de Portugal, Clemente ainda esteve mais uma vez numa meia final. Foi ao serviço da União Desportiva Oliveirense, sendo a equipa eliminada pela Académica de Coimbra, que acabaria por vencer a prova ao vencer na final o Sporting. 
VINTE E SEIS ANOS DE CARREIRA - No Santa Clara, onde permaneceu 5 anos, marcou 53 golos em todas as provas, sendo a subida de divisão e o ter jogado na 1.ª Liga ao serviço do principal clube dos Açores dois marcos importantes numa carreira iniciada aos 9 anos de idade. Com os 11 anos no Clube Operário Desportivo, Clemente cumpre 16 dos 26 anos de actividade em dois clubes da ilha de São Miguel.
Se não bastasse o currículo, que o coloca numa posição de destaque no futebol açoriano, inserido num lote muito reduzido de futebolistas que atingiram tamanha notoriedade nestas ilhas, as formas simples, sincera, dedicada, aguerrida, profissional já deixam saudades com quem partilhou os balneários e a quem assistiu a muitos dos jogos que efectuou.
Clemente, que nunca perdeu o sotaque micaelense apesar dos 9 anos desde o Sul até ao Norte do Continente, tem uma particularidade que enalteço. É frontal, afirmando sem reticências o que lhe vai na alma.
Tem uma visão interessante sobre o futebol açoriano desde a base até à pirâmide. Espero que o oiçam, que aprendem e que sigam muitas das sugestões que tem para um maior e melhor desenvolvimento do futebol e dos jovens atletas. Este um dos problemas que Clemente procura ajudar a resolver: Quem lhe possa seguir os passos e que entre no restrito lote onde estão Pauleta, Armando Fontes e Mariano Raposo. 
HOMENAGEM ESTA TARDE - Hoje, há uma homenagem pública na cidade da Lagoa e no campo onde em 1994 começou a jogar. É uma iniciativa da Câmara Municipal da Lagoa que se associaram o Clube Operário Desportivo e o Clube Desportivo Santa Clara.
Há um jogo de futebol, homenagens e outras surpresas. Mais do que merecidas.
Os 171 golos de Clemente:
Operário: 41
Louletano: 21
Gondomar: 2
Desp. Chaves: 33
UD Oliveirense: 12
Arouca: 7
Farense: 2
Santa Clara: 53

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