sábado, 3 de junho de 2017

Presidente da República desceu a encosta do Monte Brasil

Marcelo Rebelo de Sousa acelera o passo encosta abaixo na tentativa de desgastar jornalistas
O Presidente da República desceu a encosta do Monte Brasil até ao centro de Angra do Heroísmo, onde andou uma hora no meio do povo, em ritmo frenético, confessando a intenção de desgastar os jornalistas.    
No final do percurso, junto à Sé de Angra, enquanto o sino tocava, Marcelo Rebelo de Sousa rejeitou que o seu estilo seja de campanha eleitoral, salientando que lhe faltam ainda "mais três anos e nove meses de mandato", e disse estar simplesmente a cumprir a promessa de "estar próximo das pessoas".
"É muito caminho a fazer, muitas pessoas a encontrar, e é essa aminha missão", defendeu, prometendo aos jornalistas que vai manter o mesmo ritmo até ao final: "Sim, sim. Sempre neste ritmo. Com um objetivo fundamental, também, que é conseguir desgastar a comunicação social".
No terceiro de seis dias de visita aos Açores, o chefe de Estado foi de carro até ao Miradouro do Pico das Cruzinhas, um dos picos do Monte Brasil, na ilha Terceira, que fica a 168 metros de altitude, para depois descer a pé, por um trilho sinuoso, até ao centro histórico de Angra, aceleradamente.
"Isto é um grande exercício para um sábado", exclamou, entusiasmado, comentando que "descer na vida é mais fácil do que subir", para logo acrescentar: "Mas também é perigoso, é preciso saber descer". O presidente do Governo Regional dos Açores, Vasco Cordeiro, que seguia ao seu lado, concordou: "É verdade, para não escorregar".
Em passada veloz em direção à Sé de Angra, onde tinha à sua espera o bispo João Lavrador, o Presidente da República foi brincando sobre as curvas do caminho com o socialista Vasco Cordeiro, que a certa altura afirmou: "Depois de um virar à direita, tem de se virar à esquerda".
"Isso é o que eu tenho testemunhado", respondeu Marcelo Rebelo de Sousa. "Quase sempre, onde vou, dizem-me: para a esquerda, senhor Presidente, para a esquerda. Mas eu não tenho feito outra coisa se não conviver com a esquerda".
O chefe de Estado declarou que pretende "ficar rigorosamente ao centro" e, quando alguns repórteres de imagem se enganaram no trajeto, comentou: "Vê como é? A comunicação social vira para a esquerda, e nós continuamos para o centro. Mas isso é a minha experiência".
"A comunicação social é sempre mais à esquerda, um bocadinho, sempre. Se não, não é livre e independente - a não ser que o poder seja muito à esquerda, aí tem de ser um bocadinho à direita", considerou.
Por sua vez, Vasco Cordeiro observou: "Quando não se sabe se é direita se é esquerda, ainda é pior".
Marcelo Rebelo de Sousa lamentou que o circuito até ao centro não fosse "em corta-mato, era muito mais emocionante", imaginando possíveis acidentes com jornalistas: "Com as câmaras, era fatal como o destino, tínhamos várias vítimas: pés torcidos, luxações, tendinites".
Sempre à conversa com Vasco Cordeiro, que se ria, o chefe de Estado confidenciou, também a rir, que a sua velocidade é "um teste", não só aos jornalistas, mas à sua própria equipa: "O objetivo é, ao fim de dois anos e meio de mandato, ter metade da equipa que me cobre hospitalizada".
"E a comunicação social está hoje leve, bem-disposta, a partir de amanhã [domingo] é que já estarão num estado calamitoso. No penúltimo dia, arrastam-se, no último não aparecem, uns com anginas, outros com problemas musculares. Mas isso eu gosto", gracejou, mais à frente, referindo que isso lhe permitiria exercitar o seu "espírito de aconselhamento" terapêutico.
Já no centro histórico de Angra do Heroísmo, onde se demorou uma hora em convívio com a população, o Presidente entrou na Farmácia Vasconcelos e pôs em prática a sua curiosidade médica, examinando, um por um, os medicamentos comprados de uma cliente, enquanto dizia: "Disso ainda não preciso".
Antes de sair, ainda perguntou aos farmacêuticos como ia o negócio: "Está a correr bem? As pessoas estão suficientemente doentes para vir aqui?".
Quanto à sua saúde, Marcelo Rebelo de Sousa concluiu que os Açores lhe fazem bem. "Aqui respiro, durmo, sinto-me outro. Vou ter um grande choque quando regressar", declarou.
Lusa/MN

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