domingo, 28 de maio de 2017

Muito mal anda o futebol portugues com as arbitragens

O árbitro, o Praiense e a imprudência
1 - Era domingo do Senhor e fui ao jogo no estádio de S. Miguel. Eu e mais 578 pessoas que foram para a bancada. Jogou o Santa Clara com o Portimonense. Um jogo que interrompeu a série vitoriosa do Santa Clara sobre os “alvi negros” algarvios em desafios caseiros. Por isso, valeu o triunfo e o título de campeão ao Portimonense.
Não via o Santa Clara ao vivo desde o final de Janeiro, ainda sem alguns dos atletas chegados no segundo período de inscrições para jogadores profissionais. Confirmei porque teve vários dissabores. A saída de Vitor Massaia para o Chaves é uma das razões para alguns dos desaires. Como o de domingo.
2 - Não vou falar do jogo, nem da equipa. Está feita a época. Melhor no aspeto dos apertos sentidos nos anos anteriores com o espectro da descida a pairar. Nesse campo foi de tranquilidade absoluta. O povo, que não estava habituado, gostou ao ponto de terem ido ao estádio quase 9 mil espectadores a mais do que na época anterior. E com menos dois jogos.
Os mais desatentos nestas coisas do futebol da 2.ª Liga começaram a pensar em subidas quando a procissão mal tinha abandonado o adro da igreja. Esqueceram-se que este campeonato é uma maratona onde, salvo raríssimas exceções, os mais e melhor apetrechados ficam em primeiro. Como o Portimonense e o Desportivo das Aves foram desde o início os mais apetrechados, subiram. Outros recompuseram-se em Janeiro, mas não foram a tempo, como o União da Madeira. Outros desiludiram, como a Académica, onde os problemas internos tiveram efeito.
3 - Vou falar do árbitro do jogo Santa Clara-Portimonense. O sr. Tiago Martins teve uma daquelas manhãs evidenciando que lhe apetecia ficar na caminha. Pareceu estar a fazer um frete. Um trabalho deprimente para todos os que sentem o fervor do futebol. Especialmente para os micaelenses.
Ele, que é preparador físico, andou muitas vezes a passo. Vários erros, muita imprecisão, alguns dislates, pouca concentração. Teve uma daquelas arbitragens que na gíria do futebol se chama de “campo inclinado”. No capítulo disciplinar foi demais.
Como prémio pela “boa” classificação do observador Luís Ferreira, Tiago Martins voltou uma semana depois aos Açores, para dirigir o jogo de ontem entre o Praiense e o Leixões.
Sinceramente!!! Andam a brincar com tudo isso, independentemente da qualidade do trabalho efetuado na Praia da Vitória.

Ora sabe-se que Tiago Martins teve uma ascensão meteórica que deixou muita gente com a boca aberta de espanto. Foi um tal subir...até internacional. Para o sr. Tiago Martins ser árbitro de 1.ª categoria e internacional, a arbitragem portuguesa não passa pelo melhor momento. Decididamente!!!
4 - Agora percebe-se porque será muito difícil ao Santa Clara subir de divisão se não formar uma equipa tipo daquela que ganhou o campeonato da 2.ª Liga em 2000/01. Que não permita que os erros dos árbitros coloquem o campo inclinado.
Agora percebe-se porque o Praiense dificilmente subiria na fase que acabou em segundo e dificilmente subirá nos jogos com o Leixões.

Se será ou não o melhor para o clube e para a autarquia da Praia da Vitória? É uma pergunta que deixo.
A 2.ª Liga é um “inferno” para os clubes, mesmo que os apoios financeiros, provenientes da Liga, pelos contratos firmados, sejam melhores do que no ano passado. O jogo de apostas Placard tem dado uma boa ajuda. Em boa hora. Com a TV subindo a parada, vai melhorar também, mas para quem tiver juízo. Se gastarem mais, os problemas financeiros surgem.
Agora o Praiense que conhecemos não ser(á)ia o mesmo. Desde a constituição de uma SAD, com uma cota mínima de 200 mil euros para a 2.ª Liga, permitindo a entrada de capital do exterior através de acionistas e com o clube fundador tendo um mínimo de 10% de capital social, sendo a sociedade desportiva gerida por administradores/gestores;
Ou a constituição de uma Sociedade Desportiva Unipessoal por Quotas (SDUQ), onde apenas o clube pode ser o único sócio.
Estas são umas das muitas situações que envolvem as sociedades desportivas, que são acompanhadas por muitas outras exigências, cada vez mais apertadas. Só quem se mete nelas fica a conhecer quão complicado é andar nestes patamares.
Não é que não haja capacidade no Praiense para tal, mas as dores de cabeça e a reformulação total de toda a estrutura estarão presentes. Até no campo para jogar...
5 - Li que o treinador Francisco Agatão disse “terem atirado areia para os olhos” sobre a questão dos jogos do “play off” dos segundos do Campeonato de Portugal com os 17.º e 18.º classificados da 2.ª Liga. Que a informação inicial não era assim.
Não. Desde 28 de Junho do ano passado que foi aprovado este regulamento. Mais: esta possibilidade de subirem 4 clubes do Campeonato de Portugal à 2.ª Liga apenas acontece nesta temporada. Segundo a norma transitória aprovada na mesma data pelos clubes da Liga e que consta no regulamento da FPF saído a 29 de Abril passado, no final da época de 2017/18 só sobem dois clubes do Campeonato de Portugal. Os finalistas do “play off”.
Que é uma injustiça! É. Que as equipas do Campeonato de Portugal estão em desvantagem! É. Que é uma injustiça só subirem dois clubes da 2.ª à 1.ª Liga e não 3 como aconteceu ao Santa Clara em 1998/99! É.Que as equipas classificadas em segundo lugar no Campeonato de Portugal também deveriam subir, é uma questão diferente. Os clubes que formam a Liga de Clubes em Portugal é que decidem os regulamentos, que têm ou não a concordância da Federação. Como é o caso do “play-off”; como é o caso da descida de 4 equipas para a redução da 2.ª Liga para 20 clubes agora e nova descida de 4 clubes no final da época de 2107/18.
6 - Voltando ao jogo de domingo no estádio de S. Miguel, chamo a atenção para a organização de um futuro jogo do Santa Clara não cometer o mesmo erro.
Classifico de imprudência colocar a claque do Portimonense junto dos adeptos do Santa Clara e de não ter ido para o local habitual dos adeptos forasteiros. Eram cerca de 10 os ruidosos, já que os outros, casais maduros, a maioria estrangeiros residindo em Portimão, tiveram um comportamento exemplar.
Vale que os adeptos do Santa Clara são pacíficos. Vale que toleraram os frequentes palavrões. Vale que os piropos trocados foram ténues e não ferveram.
Que houve um ou outro momento de tensão, houve. Se fosse há uns anos, com os mesmos intérpretes, seria um sarilho, seria...
Mas houve pais com crianças incomodados com o turbilhão de palavras que eram dirigidas ao árbitro, em primeiro lugar, e aos atletas do Santa Clara. A paixão pura tolda o cérebro.
Não se percebe porque a mini claque do Santa Clara, “Bruma Vermelha”, foi para o lado oposto e a do adversário ficou junto dos adeptos da equipa visitada.
Afinal, era dia do Senhor Santo Cristo. Todos queriam paz.
Escrito por. José Silva /CA/MN

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