segunda-feira, 3 de abril de 2017

471º aniversário da elevação de Ponta Delgada a cidade

José Manuel Bolieiro manifesta-se orgulhoso pelo percurso de progresso da cidade e do concelho
Ponta Delgada celebrou, este domingo, os seus 471 anos de elevação a cidade com uma sessão solene que serviu para homenagear 11 personalidades e instituições, com a entrega de distinções honoríficas, o que trouxe até aos Paços do Concelho cerca de uma centena de pessoas.
Na sua intervenção, o Presidente da Autarquia, José Manuel Bolieiro, afirmou que “o percurso de progresso da nossa cidade e de todo o concelho, que tanto nos orgulha, pela sua qualidade em todas as suas dimensões, a geográfica e histórica, a cultural, a económica, política e cívica, levou-nos a lugar cimeiro e de destaque na história dos Açores e de Portugal.”
José Manuel Bolieiro referiu-se à Resolução da Organização das Nações Unidas intitulada “Transformar o nosso mundo: Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável”, que é constituída por 17 objetivos, destacando com especial aplicação municipal: Erradicar a Pobreza; Erradicar a Fome; Saúde de qualidade, Educação de qualidade, água potável e saneamento; trabalho digno; reduzir desigualdades e cidades sustentáveis.
Recordou, igualmente, a Estratégia Europa 2020, que adotou um objetivo europeu de redução do número de pessoas em risco ou em situação de pobreza e de exclusão social, que criou a Plataforma Europeia de Luta Contra a Pobreza e a Exclusão Social e, finalmente, que promoveu a instauração de um princípio de parecerias.
Porém, disse que, “passado este tempo de vigência da Estratégia Europa 2020, é nossa convicção que a sua aplicação foi dominada por uma abordagem neoliberal, dando prioridade ao crescimento e estreitamente ligada a políticas de austeridade.”
“Para nós, que acreditamos na conjugada importância do agir e do reagir, definimos,  como prioridade, agir pelo desenvolvimento das pessoas na sua individualidade e no seu contexto comunitário.” – sustentou, adiantando que a Câmara definiu “como essencial reagir às consequências das graves crises económica e financeira, de dimensão global e local, que muitos constrangimentos provocaram, dificultando a difícil vivência das pessoas, das famílias e das empresas.”
Neste sentido, disse, “promovemos o reforço das políticas sociais municipais, com recurso reforçado de parcerias e de descentralização apoiada, rumo à coesão social e territorial.”
José Manuel Bolieiro fez questão de sublinhar que, neste ano de 2017, na cerimónia evocativa do aniversário da cidade, “não poderíamos ter, por coerência, outra opção que não a de distinguir, sob a forma de preito, pessoas e instituições que deram concretização e ajudaram ao sucesso destes ideais de cosmopolitismo de Ponta Delgada, da sua histórica reivindicação de descentralização, como fator de desenvolvimento, de especial sensibilidade para a cultura e para a identidade da alma do nosso povo, para as práticas de solidariedade e do desporto educativo.”
“Boa cooperação de todas as instituições com a cidade”
Por isso, “reconhecemos que a notabilidade de Ponta Delgada se assegura pela boa cooperação de todas as instituições com a cidade envolvidas e pelo prestígio pessoal das personalidades que a ela se ligaram indelevelmente.”
Para o Presidente da Câmara de Ponta Delgada, “fomos e somos pelo exercício de uma governança local que se ancora na prioridade sócio-educativa, em parcerias e em voluntariado, na descentralização e na notabilização global de Ponta Delgada e dos Açores.”
“Em tempo de crise, foi nosso entendimento e missão, cumprir objetivos de solidariedade Intergeracional. Rever e controlar a situação financeira municipal, diminuindo a sua dívida foi e tem sido gesto essencial de solidariedade Intergeracional, de modo a não comprometer a gerações vindouras ao mero exercício de pagar despesas passadas.” – frisou.
José Manuel Bolieiro reafirmou que, de 2012 a dezembro de 2016 foi possível abater a dívida bancária da Câmara Municipal em cerca de 37%, enquanto que aos fornecedores o prazo médio de pagamento da Câmara Municipal de Ponta Delgada variou entre os 10 e os 12 dias em todo o ano de 2016, de acordo com a ficha elaborada pela Direção Geral das Autarquias Locais.
Ainda segundo o Presidente do maior Município dos Açores, “consolidámos o apoio municipal ao processo educativo da infância e juventude de Ponta Delgada, só na nossa rede municipal de ATL estão incluídas 950 crianças; no estímulo à valorização do esforço e mérito temos atribuído prémios de mérito a todo o ensino não superior em Ponta Delgada, e ainda estimulado o conhecimento da realidade universitária na cidade.”
Já no que respeita ao desenvolvimento social, referiu-se ao gabinete saudável de apoio ao Jovem, integrado no projeto PDL Saúde, aos projetos de inclusão social, como Atuação Reintegrativa – Atelier Viver no Bairro, apoio à gestão familiar e do lar, à Dádiva, ao estímulo da generosidade e à recuperação e reutilização, designadamente de roupas. Isto para além do Fundo Municipal de Solidariedade Social, que assegura o pagamento dos bens essenciais e necessários às famílias carentes, água, luz, gás e medicamentos.
José Manuel Bolieiro relembrou, por outro lado, o programa de apoio à habitação degradada, o projeto Conforto – apoio domiciliário – pequenos arranjos; o programa Idosos Ativos – com atividades de educação física, recreativa e cultural e ainda de lazer, com passeios e convívios organizados.
Paralelamente, referiu-se às várias parcerias desenvolvidas pela Autarquia, as permanentes e protocoladas, com a Associação de Seniores de São Miguel e Projeto Desperdício Zero – combate à fome; projeto de dignificação pessoal aos sem abrigo e outros – Casa dos Manaias, com a parceria de diversos voluntários – que de forma livre e responsável se comprometem com o ideal de fazer bem o Bem Fazer; parceria com a Solidari’Arte – instituição que apoia pessoas, infelizmente desconsideradas, em exclusão social ou em risco de; parceria com a Fundação da Portugal Telecom – Teleassistência – combate ao isolamento.
Destacou o facto de ainda existirem “pessoas e famílias em dificuldade e um presente e futuro mais felizes será impossível se estivermos todos de costas voltadas uns para os outros.”
 “O reconhecimento da Autarquia ao valor das ações sociais”
“O contributo de todos quantos hoje reconhecemos e justamente homenageamos, pelo valor das suas ações, justificam o penhor da nossa distinção honorífica e encómios próprios.” – acentuou
José Manuel Bolieiro destacou o trabalho de cada um dos 11 homenageados, agradecendo a todos e cada um deles pelo trabalho feito em prol dos mais desfavorecidos, em prol da solidariedade social e em prol da cidade e do concelho.
Sobre a Associação Mãe de Deus, disse que, sob o desígnio “Asilo da Infância Desvalida”, fez a história de vida de tanta jovem ser mais digna, justifica a nossa mais elevada condecoração.
Referindo-se a Cinelândia Cogumbreiro e Sousa, disse ser uma munícipe de inteireza de caráter, ao longo da sua vida dedicada a nobres causas de altruísmo no apoio às crianças – Muito obrigado.
Já Maria Evelina Vieira da Rosa, homenageada a título póstumo, “o nosso preito por todas as suas insubstituíveis ações caritativas em alívio ao sofrimento profundo de pessoas que nela encontraram o secreto e decisivo conforto”.
José Manuel Medeiros Ferreira, também homenageado a título póstumo, foi uma “personalidade que pela sua rara capacidade de pensamento livre e autónomo não deixava ninguém indiferente. Um talento de análise prospetiva, elevada noção de intervenção cívica pautada pelos valores da liberdade e democracia.”.
Considerou Maria Leonor Anahory, como uma mulher “de incansável sensibilidade e atividade pelos mais diversos apoios e estratégias de inclusão, está sempre disponível para o Bem fazer e proativa para as sugestões”.
Sobre Ilda Braz, disse ser uma “mulher que, sempre de forma generosa e discreta, encontrou sempre no voluntariado a expressão da sua boa personalidade, em constante exercício de cidadania solidária para com o próximo.”
Quanto a Dom António de Sousa Braga, foi o “Bispo romeiro, o primeiro a integrar uma romaria, devoto do Senhor Santo Cristo e do Divino Espírito Santo, foi sempre próximo e ligado às soluções dos problemas sociais.”
Passando à Banda Filarmónica Nossa Senhora das Neves, conhecida popularmente como a Banda da Relva, celebrou o ano passado, 150 anos de existência, sendo um “viveiro e escola de cultura, musica e valores sociais de integração.”
No que respeita a Ruy-Guilherme de Morais, foi “interventivo e consolidado na defesa das nobres causas da cidade de Ponta Delgada, dos Açores e da cultura e identidade açorianas. Mentor do círculo literário Antero de Quental.”
Outro dos homenageados foi Masatoshi Ohi, natural do Japão, personalidade que, segundo José Manuel Bolieiro, apesar da sua distante origem e da sua elevada categoria de Mestre de Judo, “nunca o impediram de se integrar, de corpo e alma, na vivência de Ponta Delgada e no ensinamento integrador do judo, foi o primeiro a dar treino a invisuais e surdos.”
Por último, José Manuel Cardoso Lourenço, Major-General, foi recentemente Comandante da Zona Militar dos Açores, “empenhou-se na boa relação do Comando com a cidade e suas atividades culturais, envolvendo a Banda Militar dos Açores, em diversas atuações no Concelho e na integração dos seus músicos na mestria e execução em filarmónicas do município. Integração relevante na sua valorização. Contribuiu para que o anunciado risco de definhamento da Banda Militar dos Açores não acontecesse.”.

Ponta Delgada, 3 de abril de 2017
Assessoria de Imprensa
Lubélia Duarte 

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