segunda-feira, 27 de março de 2017

X Jornadas Agrícolas da Praia da Vitória na ilha Terceira

Jornadas Agrícolas da Praia da Vitória são oportunidade para revelar mérito do trabalho desenvolvido, afirma João Ponte
O Secretário Regional da Agricultura e Florestas afirmou que as X Jornadas Agrícolas da Praia da Vitória são uma "oportunidade" para revelar o mérito e a excelência do trabalho desenvolvido pelo setor agrícola e pecuário, para expressar a capacidade instalada que existe neste setor, "capaz enfrentar as dificuldades, abraçar novos desafios e trilhar o caminho do sucesso que, no final, será o sucesso dos Açores”.
João Ponte falava sexta-feira na abertura do evento, que decorre durante o fim de semana numa iniciativa conjunta da Câmara Municipal da Praia da Vitória e as principais associações agrícolas da ilha Terceira.
Na sua intervenção, frisou que a agricultura é e continuará a ser no futuro o motor da economia regional, salientando que isso se deve "ao trabalho persistente, aos investimentos realizados e à capacidade de inovação e de adaptação dos agricultores açorianos aos desafios com que foram confrontados nas últimas décadas, mas também em virtude da estratégia que Governo dos Açores implementou para o setor”.
O titular da pasta da Agricultura afirmou que o setor do leite foi o que mais evoluiu e que hoje está mais bem preparado e estruturado. 
Relativamente ao preço do leite, frisou que, “nos últimos meses, os preços pagos à produção na Europa estão a ajustar-se de forma acelerada, o que poderá indiciar que a indústria nos Açores terá margem para ajustar os preços nos próximos tempos”.
“Importa agora continuar a acompanhar a produção leiteira açoriana nesta fase de recuperação evidente, contribuindo para o reforço da sua competitividade estrutural, com investimentos na infraestruturação e na promoção e mais valia dos produtos dos Açores, potenciando o CALL e acompanhando em simultâneo as explorações no sentido da redução dos seus custos", acrescentou.
“Vamos trabalhar em conjunto com a indústria com vista à avaliação de novos produtos que acrescentem mais valor e mais rendimento a toda a fileira, na identificação de mercados que reconheçam a qualidade do que produzimos e que os valorizem”, assegurou João Ponte.
A fileira da carne revela uma importância cada vez maior no desenvolvimento do setor agrícola na Região, com o investimento que está a ser efetuado no Matadouro da Terceira, que ascende a 1,7 milhões de euros, a permitir potenciar ainda mais a capacidade exportadora de gado bovino abatido nesta ilha.
“Acreditamos que é possível melhorar substancialmente os preços à produção, fenómeno que presentemente já se verifica. Em simultâneo, o nosso excelente estatuto sanitário está a permitir o escoamento de gado vivo para Marrocos, criando novos mercados e novas oportunidade de negócio aos comerciantes e produtores dos Açores”, afirmou João Ponte.
Há neste momento a forte possibilidade de alargar a exportação a países do Médio Oriente e até a exportação direta a partir dos Açores.
João Ponte reafirmou a intenção de “criar uma estrutura que integrará o Governo, a Universidade e os principais agentes da fileira que acompanhará o setor da carne", adiantando esperar que possa estar a funcionar "em breve”.
O Secretário Regional frisou que há desafios que importa vencer, como sejam "promover a passagem da expedição em carcaças para carne embalada e em formato final de consumo e estimular a organização da produção, aproximando-a o mais possível do mercado e reduzindo segmentos na cadeia comercial, sem descurar os sinais dos mercados que podem sempre e a todo o momento surpreender os operadores e obrigar ao reajuste das estratégias”.
Quanto à diversificação agrícola, João Ponte garantiu que a Região ainda tem margem para crescer, podendo reduzir, ainda mais, as importações de hortícolas e de algumas frutas.
“Importa reforçar a organização da produção de modo a ganhar escala e poder negocial e fomentar as produções, de forma planeada, mais ajustadas às capacidades produtivas de cada ilha e à procura dos mercados”, afirmou.
Nesse sentido, assegurou que  os agricultores “podem contar com Governo Regional para continuar a apoiar tecnicamente e para reforçar a formação, que será adaptada às necessidades dos produtores”.  
O titular da pasta da Agricultura adiantou que, em estreita articulação com as organizações de produtores, pretende-se "realizar um estudo que identifique as necessidades de consumo e de importação da Região, por forma a criar mecanismos de ajuste da produção regional, com o objetivo de reduzir ainda mais as importações e de melhorar o rendimento dos produtores”.
No âmbito da diversificação, a produção biológica assume-se cada vez mais como uma oportunidade e que importa aprofundar.
Neste sentido, o Governo dos Açores vai desenvolver, em conjunto com os operadores, a Universidade dos Açores e especialistas do setor, um plano para a pecuária e agricultura biológica.
João Ponte fez ainda uma referência aos investimentos na agricultura na ilha Terceira.
“Vamos continuar a investir, ao ritmo dos recursos financeiros disponíveis, no abastecimento de água, na melhoria dos caminhos e no fornecimento de energia elétrica às explorações", garantiu.
"Para além das obras a decorrer no Matadouro, destaco ainda a obra da segunda fase do Parque de Exposições, num investimento superior a quatro milhões de euros, e a conclusão do processo de transferência do Laboratório Regional de Veterinária, que é um objetivo central”, acrescentou.
O Secretário Regional considerou estratégico para o setor agrícola e agroindustrial continuar a dotar o Laboratório Regional de Veterinária com meios humanos e técnicos que permitam ampliar a capacidade de resposta, responder às necessidades da Região e reduzir o recurso a laboratórios fora dos Açores.
João Ponte anunciou ainda que, em abril, será iniciado “um processo de auscultação sobre o POSEI com as associações representativas do setor", tendo em vista refletir sobre o que se pretende para o futuro, nomeadamente "se mantemos o cenário atual, em que algumas ajudas têm rateios superiores a outras, ou se uma solução mais equitativa".
"A única certeza que temos é que, no final do atual quadro comunitário, a dotação do POSEI não será alterada”, frisou. 
Neste processo de auscultação, o Secretário Regional considera que também se deve refletir sobre o PRORURAL+.
"Como é público, as medidas de apoio ao investimento têm os seus plafonds com elevadas taxas de compromisso”, salientou.
“De duas uma, ou mantemos a situação atual ao nível de taxas de cofinanciamento e montantes máximos de investimento, e rapidamente as verbas serão esgotadas, ou, em alternativa, reduzimos as taxas e os montantes máximos de investimento, por forma a que os fundos comunitários ainda disponíveis cheguem a mais agricultores”, afirmou João Ponte.
GaCS/SF/MN

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