quarta-feira, 1 de março de 2017

54 ranchos de romeiros, 52 de São Miguel e dois de Toronto

Tradição das romarias quaresmais chega a toda a ilha de São Miguel
A tradição das romarias quaresmais, que começa no sábado, chega a toda a ilha de São Miguel, onde cada lugar, freguesia ou paróquia constitui o seu rancho de romeiros, numa tradição secular em expansão.    
“Há cerca de 20 anos éramos 32 ranchos e, presentemente, temos 54. Cada lugar, cada paróquia, quis formar um rancho”, afirmou hoje o responsável da Associação Movimento de Romeiros de São Miguel, João Carlos Leite.
Um total de 54 ranchos de romeiros, 52 de São Miguel e dois de Toronto, no Canadá, percorrem a partir de sábado as estradas da ilha, nas romarias quaresmais que terminam a 13 de abril, integrando 2.500 homens.
Segundo o responsável da Associação Movimento Romeiros de São Miguel, "as romarias registaram uma grande expansão a partir dos anos 80", o que se deve "a algum aperfeiçoamento na coordenação das romarias", cujo primeiro regulamento foi "elaborado em 1962 e desde então tem vindo a ser aperfeiçoado".
João Carlos Leite destacou, ainda, a aproximação do movimento à Igreja e a sua interação com as paróquias.
O responsável disse que o objetivo do movimento é “continuar a caminhada formativa, a nível cívico, cultural e religioso, com o objetivo de formar bons cristãos e cidadãos”, acrescentando que a dimensão cívica tem muita importância para os romeiros.
“Somos uns felizardos em São Miguel. Não é só a vivência religiosa, é toda esta partilha e intercâmbio entre os romeiros e as famílias de acolhimento”, afirmou, referindo que durante a semana em que estão na estrada os romeiros dormem em casas particulares ou em salões paroquiais, devendo iniciar a caminhada antes do amanhecer e entrar nas localidades logo a seguir ao pôr-do-sol.
O dirigente, que é mestre há 25 anos, sustentou que tem havido “um acolhimento excecional, incluindo em zonas de pouca população, nomeadamente Nordeste e Povoação, que recebem muitos romeiros”.
Todos os anos, os primeiros ranchos partem no fim de semana após a Quarta-feira de Cinzas e os últimos regressam às suas localidades na Quinta-feira Santa, saindo uma média de dez ranchos por semana.
As romarias quaresmais terão surgido na sequência de terramotos e erupções vulcânicas ocorridas no século XVI em São Miguel, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande.
Só homens podem participar nestas romarias de duração de uma semana, que têm um percurso sempre com mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas da ilha.
João Carlos Leite disse que o movimento religioso integra muitos jovens e crianças que iniciam as romarias a partir dos seis anos, motivados pela ida de um familiar, existindo ainda homens com 85 anos.
Os romeiros de São Miguel usam um xaile e um lenço, e transportam um bordão e um terço. Ao longo do percurso, entoam cânticos e rezam.
Este ano as romarias coincidem com o rali dos Açores, mas o responsável salientou que o impacto da prova no percurso dos romeiros é “mínimo”, anunciado que haverá panfletos de alerta, sobretudo para quem acompanha a prova automobilística.
Nos últimos anos têm sido organizadas também romarias com mulheres, mas estas não duram mais do que um dia.
Lusa/MN

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