segunda-feira, 27 de março de 2017

Luís Rodrigues, “80% do lixo marinho é de origem terrestre”

Diretor Regional das Pescas alerta que não são apenas as atividades extrativas que importunam os ecossistemas marinhos
O Diretor Regional das Pescas afirmou hoje, em Ponta Delgada, que "não são apenas as atividades extrativas do mar, como a pesca, que importunam os ecossistemas marinhos", lamentando que os homens façam dos oceanos "um caixote de lixo".
Luís Rodrigues frisou que “80% do lixo marinho é de origem terrestre”, mas acrescentou que “também a pesca e a atividade marítima, como o transporte de mercadorias e de passageiros, produzem lixo”.
O Diretor Regional falava à margem da entrega de prémios do concurso de boas práticas de gestão de resíduos a bordo dos atuneiros açorianos, no âmbito do projeto ‘Lixo Zero nos Mares dos Açores 2016-2017'.
Luís Rodrigues salientou que o interesse desta iniciativa reside na "monitorização dos procedimentos para a gestão do lixo produzido a bordo dos atuneiros", com a sensibilização dos pescadores e armadores, destacando também a importância da "monitorização do lixo flutuante” pelos observadores do Programa de Observação para as Pescas nos Açores (POPA).
Este projeto é "essencial” para a obtenção de informação sobre o lixo flutuante oceânico, nomeadamente no que se refere à distribuição e tipologia do macrolixo que flutua no oceano à volta do arquipélago, acrescentou o Diretor Regional.
Esta informação é obtida através de seis registos diários de 10 minutos cada para avistamentos de lixo.
O Diretor Regional das Pescas salientou ainda a importância desta iniciativa, que já se realiza há três anos, na sensibilização dos profissionais da pesca para as boas práticas na gestão do lixo a bordo da frota de atuneiros nos Açores.
O concurso, em que participaram 12 atuneiros, distinguiu as embarcações mais bem classificadas com um selo ecológico (eco-label), que têm direito a ostentar e publicitar durante um ano.
Para além do galardão, as embarcações ganharam também prémios não monetários.
Este ano, três embarcações obtiveram a primeira classificação, nomeadamente a 'Rei dos Açores', a 'Lontra Marinha' e a 'Milão'.
Luís Rodrigues afirmou pretender que este programa tenha continuidade nos próximos anos e que se estenda a outras pescarias, acrescentando que representa um importante contributo “para alcançar as metas ambientais definidas para os Açores” no âmbito da Diretiva Quadro Estratégia Marinha.
O projeto ‘Lixo Zero no Mar dos Açores’ insere-se no Plano de Ação para o Lixo Marinho dos Açores e é promovido pela Direção Regional das Pescas, pela Associação de Produtores de Atum e Similares dos Açores (APASA), pelo Instituto do Mar e Departamento de Oceanografia e Pescas (UAç), pela Direção Regional dos Assuntos do Mar e pelo Observatório do Mar dos Acores.
GaCS/GM/MN

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