sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Danças e Bailinhos de Carnaval na Terceira

Mais de 1500 músicos e atores amadores animam Carnaval na ilha Terceira
Mais de seis dezenas de danças e bailinhos de Carnaval decorrem de sábado a terça-feira, pela madrugada dentro, em salões de toda a ilha Terceira envolvendo mais de 1500 músicos e atores amadores.
As manifestações de teatro popular tradicionais da ilha Terceira, compostas por períodos musicais e teatrais, dividem-se em danças de pandeiro, bailinhos e comédias que apresentam temas para fazer rir e em danças de espada, que abordam temáticas menos ligeiras.
Durante quatro dias, enchem-se perto de quatro dezenas de salões de sociedades e casas do povo de toda a ilha para assistir - salvo raras exceções, gratuitamente - aos espetáculos feitos por amadores, sem pausas para almoço ou jantar. Na maior parte dos dias as portas só se fecham de madrugada.
Os ensaios começam meses antes. Alguns são abertos ao público na semana de Carnaval, como acontece, por exemplo, na Queijaria Vaquinha, onde João Mendonça atuou com um bailinho da freguesia da Ribeirinha na quarta-feira.
O ator amador de 49 anos sai no Carnaval da Terceira desde os sete, tendo participado também em danças e bailinhos no Canadá, enquanto emigrante.
A crítica social marca as danças e bailinhos desde o 25 de Abril e é habitual nos enredos (texto de teatro) que João Mendonça também escreve e que, este ano, têm a “crise” como temática principal.
Para o ator e escritor, “não existe no mundo uma manifestação popular tão forte” como o Carnaval da ilha Terceira.
“É um filão de cultura e todo o indivíduo de qualquer região do país quando vive pela primeira vez esta manifestação cultural fica apaixonado por ela”, salienta em declarações à Lusa.
Fátima Gorgita, com 64 anos, é personagem num bailinho do Porto Judeu, onde interpreta este ano um papel de homem, sendo a mais velha de um grupo com idades que se iniciam nos 11, mas também a mais brincalhona.
Quando João Mendonça começou a participar em bailinhos de Carnaval, Fátima não o podia fazer, porque as mulheres na altura só estavam autorizadas a assistir ou a segurar o casaco dos maridos.
Como vingança, em jeito de “brincadeira”, de há 10 anos para cá que no seu grupo só atuam mulheres. Os homens ficam ao lado a tocar, enquanto elas dançam e representam.
“A gente optou por ser só mulheres, porque normalmente os homens gostam de ver futebol, num dia tem isto, noutro têm aquilo e é muito complicado para os ensaios”, disse à Lusa.
Nos últimos anos, não se tem registado uma diminuição do número de danças e bailinhos de Carnaval, apesar da crise e dos gastos envolvidos.
Só no vestuário, cada dançarina do bailinho de Fátima Gorgita gasta entre 300 e 400 euros e em muitos casos participam mães e filhas.
“A gente vai procurar sempre tecidos muito baratos e depois usamos a nossa imaginação”, frisou, acrescentando que o grupo faz vários eventos durante o ano, para amenizar a despesa total, que envolve ainda o pagamento do enredo e da música e o transporte de salão em salão, nos dias de Carnaval.
Além de ser “muito dispendioso”, é também “cansativo” participar no Carnaval da Terceira, segundo Fátima Gorgita, que começou a ensaiar em novembro, mas que o considera “o Carnaval mais lindo que pode haver”.
“Nos quatro dias de Carnaval a gente esquece tudo o que está para trás, a gente esquece os ensaios, esquece as despesas, é para fazer uma limpeza à alma”, salientou.
Lusa

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