domingo, 18 de março de 2012

António Leitão morreu hoje no Porto aos 51 anos.

Morreu António Leitão, antigo atleta olímpico
Nascido em Espinho a 22 de julho de 1960, António Leitão tinha 51 anos e estava internado no Hospital de Santo António no Porto, em estado de coma.
O antigo atleta António Leitão, medalha de bronze nos 5.000 metros dos Jogos Olímpicos de Los Angeles1984, morreu hoje no Porto, anunciou hoje o Benfica, clube que representou durante 10 anos.
Nascido em Espinho a 22 de julho de 1960, António Leitão tinha 51 anos e estava internado no Hospital de Santo António no Porto, em estado de coma.
O antigo atleta sofria de hemocromatose, uma doença pouco comum, caraterizada pela excessiva absorção de ferro, o que provoca perturbações diversas no organismo, nomeadamente problemas hepáticos e de diabetes.
«Faleceu este domingo, dia 18 de março, António Leitão, antigo atleta do Sport Lisboa e Benfica. Este é um dia de luto para o atletismo e para o desporto português. Aos seus familiares e amigos, o clube endereça as mais sentidas condolências», lê-se no sítio oficial do Benfica na internet.
António Leitão, um medalhado olímpico com carreira incompleta
Tendo abandonado a competição em 1991, aos 31 anos, António Leitão manteve-se em Espinho, onde sempre residiu e onde foi homenageado.
António Leitão, que morreu hoje de manhã, no Porto, foi um atleta de altos e baixos, que aos 22 anos era dos melhores fundistas mundiais e aos 24 conquistou uma medalha olímpica, antes de começar a somar desilusões.
A doença - uma hemocromatose (excesso de ferro no sangue) - atacou-o cedo e, ao longo da sua vida, sempre o condicionou. Morreu um homem afável, que facilmente fazia amizades, não deixando transparecer os problemas de saúde que o acompanhavam.
Nascido em Espinho, foi no Sporting local que António Leitão começou a notabilizar-se, chegando mesmo a conquistar uma medalha de bronze no Campeonato da Europa de Juniores em 1979. Ingressado no Benfica em finais de 1981, logo começou a dar nas vistas, cedo atingindo classe mundial.
Em 1982, bateu o recorde nacional de 5.000 metros com um tempo (13.07,70 minutos) que o colocava como segundo europeu e quarto mundial de sempre, um ano antes de bater o recorde nacional de 3.000 m, com 7.39,69, marca que ainda hoje vigora, 29 anos depois.
O momento mais brilhante do seu percurso aconteceu em 1984, nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, ao ser terceiro nos 5.000 metros, depois de liderar a prova ao longo de 3.150 metros, só sendo batido nos 200 metros finais. Foi o ponto alto de uma carreira que não teve, depois, a sequência esperada.
Em 1986, Leitão ainda foi quinto no Campeonato da Europa, mas uma série de problemas físicos e um espírito nem sempre muito competitivo levaram a que os resultados começassem a não aparecer. Não sendo muito rápido, pensou-se que poderia apostar nos 10.000 metros, mas o atleta foi adiando essa evolução na distância, que acabaria por nunca se concretizar efetivamente.
Para a história, fica a final olímpica de Los Angeles, a mais rápida de sempre até aos Jogos de Pequim, em 2008, em grande parte devido à ação do atleta português. Nesses Jogos, Rosa Mota começou por conquistar a medalha de bronze na maratona e, no dia seguinte à subida ao pódio de António Leitão, Carlos Lopes conquistou a medalha de ouro na maratona.
Tendo abandonado a competição em 1991, aos 31 anos, António Leitão manteve-se em Espinho, onde sempre residiu e onde foi homenageado mais tarde ao ser dado o seu nome à pista de atletismo implantada na Nave Desportiva da cidade. O atleta era presença regular nas provas ali realizadas.

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