NOITE DE GALA AÇORIANA NO C.C.P.MISSISSAUGA
O lobo-do-mar, Genuíno Madruga apresenta ''O Mundo que eu vi''
O Centro Cultural Português de Mississauga, realizou nos dias 21 e 22 de Outubro uma Gala Açoriana, onde Genuíno Madruga foi presença de destaque a par de Sidónio Bettencourt (que também apresentou a sua obra, ''Já não vem ninguém'') do Rancho Folclórico do CCPM e do conjunto ''Starlight''.
O evento incluiu um jantar de homenagem ao velejador, após o qual Sidónio Bettencourt apresentou o livro propriamente dito.
Na entrada do salão de festas do CCPM, foram muitos os que aquiriram os livros á venda e solicitaram os respectivos autógrafos aos dois autores, Genuíno e Sidónio como também aproveitaram para uma secção de fotos.
Após o jantar, Sidónio Bettencourt apresentou o livro de Genuíno Madruga ''O Mundo que eu vi'', e leu um excerto.
Após o jantar, Sidónio Bettencourt apresentou o livro de Genuíno Madruga ''O Mundo que eu vi'', e leu um excerto.
Depois foi chamado Genuíno Madruga que apresentou e descreveu diversas fotografias dos locais de todo o mundo por onde passou.
Adiantou que foi o nono velejador que deu a volta ao mundo por duas vezes no seu Hemingway, e o primeiro e único português que levou a bandeira dos Açores e de Portugal aos quatro cantos do Planeta.
Lembrou que as pessoas não devem disistir dos seus sonhos, ao mesmo tempo que deixava no écran a mensagem: ''Sonhem, definem objectivos, acreditem que são capazes, sacrifiquem-se, trabalhem muito e só assim serão capazes de concretizar aquilo com que sonharam''.
Genuíno Madruga foi distinguido recentemente pelo Presidente da Réplubilca de Portugal, Cavaco Silva, com a medalha como comendador da ''Ordem do Infante''.
Genuíno nasceu na freguesia de São João, no conselho das Lajes do Pico, e fixou residência há longos anos na vizinha ilha do Faial.
Sózinho, num pequeno barco à vela, percorreu todos os caminhos do mar para dar a volta ao mundo. Não satisfeito, voltou a fazê-lo uma segunda vez, procurando um percurso mais difícil, que apenas alguns bravos lobos-do-mar tentaram. Poucos personificarão tão bem o espírito aventureiro e a paixão pelo oceano. A sua última aventura, no entanto, não foi aos comandos do leme, mas sim da caneta. O pescador fez-se escritor para relatar as suas viagens, e pelo caminho deixou muito de si naquilo que escreveu. Genuíno Madruga viu o mundo de uma perspectiva única, e agora conta o que viu.
O Mundo que Eu Vi tem a chancela da Ver Açor, e foi apresentado ao público na passada sexta-feira, onde todos os velejadores se sentem em casa. O Peter Café Sport atingiu a sobrelotação, já que foram muitas as pessoas que não quiseram deixar de marcar presença neste lançamento, que teve até honras de banda filarmónica, com a Unânime Praiense, da freguesia do velejador.
Em conversa, Genuíno conta que “a ideia deste livro é antiga”, e os escritos que o povoam foram feitos em ocasiões diversas. “Determinadas partes foram escritas há algum tempo, algumas mesmo durante a viagem. Certas coisas foram até escritas à mão, em diferentes ocasiões”, explica. No entanto a maior parte da escrita foi feita após a segunda viagem de circum-navegação, terminada em 2009.
Pescador e aventureiro, para este lobo-do-mar foi bem mais fácil manobrar o Hemingway à volta do mundo completamente sozinho do que manobrar a caneta para contar o que viu nessas viagens: “Eu não sou escritor. A minha vida é outra… O meu relacionamento com as letras vem da leitura dos jornais, dos livros… Escrever é completamente diferente. Por isso tudo isto foi um pouco mais penoso para mim”, conta, confessando que, nesta viagem, contou com uma “tripulante” especial: “tive a preciosa ajuda da Beatriz, pois se não fosse ela ainda não tinha chegado ao fim”, diz, referindo-se à esposa. Confirma-se portanto que “atrás de um grande homem está sempre uma grande mulher?”, atirámos, à laia de provocação. A resposta do velejador foi pronta: “Atrás não. Sempre ao meu lado”.
Quanto ao resultado final, Genuíno garante que este livro é isso mesmo, genuíno. Escreveu-o com o coração, emocionou-se com as recordações e deixou grande parte de si nas páginas que foram surgindo. Assim, O Mundo que Eu Vi acaba por ser uma espécie de mistura entre um diário de bordo e uma auto-biografia, como reconhece o autor. “O livro tem muito de mim. Tem um pouco do meu passado, que se confunde com a vida dos pescadores de há algum tempo. E tem sobretudo relatos de acontecimentos, de pessoas que conheci, daquilo que vi pelo mundo. E fotografias, muitas fotografias que eu fui tirando”, diz.
Depois do seu regresso do continente americano, Genuíno Madruga irá lançar a sua obra na Praia da Vitória, no âmbito da iniciativa Outono Vivo, promovida por aquela autarquia terceirense.
- João G. Silva.
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