terça-feira, 28 de junho de 2011

Jovem de São Jorge cria equipamento do Angrense

Angrense com dois novos equipamentos criados por Laura Reis
Os novos equipamentos do Sport Club Angrense têm um cunho da ilha de São Jorge. A sua criadora, Laura Reis, é jorgense e está a estudar moda no Porto.
São dois os novos equipamentos deste clube de Angra do Heroísmo: um oficial, de cor vemelha e branca, e um alternativo, de cores dourada e azul escuro. Foram escolhidos no catálogo da empresa DESPORTREINO, onde a jovem criadora estagiou.
"A minha função nesta empresa foi a de criar. Desenvolvi vários modelos, tendo um dos quais sido selecionado para o catálogo da empresa para o corrente ano e a opção do Sport Clube Angrense para a próxima época desportiva", recorda Laura Reis.
O curso profissional na área de Design de Moda está agora a terminar. A Escola Artística Soares dos Reis foi a sua casa durante três anos e não há nada de que se arrependa. "É um excelente estabelecimento de ensino do qual levo as melhores referências", diz a DI.
Ainda assim, o gosto pelo desenho de moda não é uma descoberta recente.
"Desde pequena que sei do meu interesse por esta área. Desenhava alguns croquis (peças de roupa para senhora) e mostrava sempre aos meus pais, que me diziam que tinha jeito. E foi perante as avaliações e o incentivo que eles me deram que pensei em seguir Design de Moda. Na altura estudava na Escola Básica e Secundária da Calheta, em São Jorge. Após concluir o nono ano entrei para a Escola Artística Soares dos Reis", lembra.
NA ILHA DO DRAGÃO

angrense__equipamentos_lauraLaura Reis não sabe ainda se quer prosseguir estudos na área, mas uma coisa é certa: o futuro passa pelos Açores e, se possível, por São Jorge.
Apesar disso, a jovem de 19 anos diz ter consciência dos constrangimentos de quem quer seguir Moda e viver numa ilha como São Jorge.
"Tenho a noção clara de que será muito difícil trabalhar e ter sucesso nesta área, devido aos constrangimentos de se viver numa ilha tão periférica e tão condicionada como é São Jorge. E mesmo pensando que as novas tecnologias já nos permitem trabalhar à distância, nesta e noutras áreas, a realidade não é tão simples como isso. Para se trabalhar na moda devemos estar no centro da sua atividade. É o mais desejável, claro. Soluções diferentes serão sempre soluções alternativas, muito mais difíceis e para as quais temos de nos preparar", adianta a jorgense.
Mas a vida não é difícil só para os criadores das ilhas. Laura Reis lamenta que os designers/estilistas portugueses só sejam reconhecidos lá fora, apesar do seu talento.

"É uma luta árdua contra uma mentalidade difícil de alterar. Penso que chega a ser ingrato estarmos constantemente a ser bombardeados com moda internacional quando temos ótimos criadores e marcas nacionais com propostas muito interessantes. O mercado e o país têm que apostar na moda nacional. Acredito que, quando o fizerem, não se irão arrepender", assegura.
É com esta perspetiva de vida que Laura Reis vai tentar estabelecer-se na ilha enquanto criadora de equipamentos desportivos. Sempre gostou, aliás, de desporto e foi jogadora de voleibol.
"Gosto muito de desporto, por isso sinto-me confortável a desenhar este tipo de vestuário. Como fui praticante de voleibol e atenta aos outros desportos, foi-me fácil perceber as necessidades de um desportista e, assim, desenvolver equipamentos adequados à prática desportiva", frisa.
Apesar disso, vai continuar o desenho de roupa de estilo clássico/casual, para o qual foi preparada.

Fonte: Diário Insular

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