sábado, 25 de junho de 2011

Entrevista com Octávio Machado na Ilha Terceira

Açores têm equipas a mais noutros escalões
Veio à Terceira devido ao futebol e para falar de futebol, a convite do Grupo de Futebol de Veteranos da Casa do Povo da Terra Chã. Continua a ser uma necessidade para si esta ligação ao desporto-rei?
Foram momentos de enorme convivência. E o futebol tem esta capacidade de nos proporcionar grandes momentos, junto de gentes tão afáveis e hospitaleiras, ainda para mais numa altura de festas. Poder participar e confraternizar é algo que acrescenta muito valor à missão que nos assiste dentro de um campo de futebol.
Mas sente saudades do futebol?

Continuo a conversar com muita gente do futebol, sou um homem do futebol, gosto do futebol e tenho uma vivência muito grande no futebol. Mas, como já referi, as coisas na minha vida têm acontecido naturalmente. Se me perguntasse se alguma dia pensei que a minha carreira pudesse vir a ser o que foi, dir-lhe-ia que não. As coisas foram acontecendo. O futebol atrai-me, mas alguns aspetos desiludem-me completamente. A nível de dirigismo, é preciso acabar com a suspeição e com as situações de conflitualidade, que por vezes geram insegurança. De resto, há muita impunidade, mas não só no futebol. O futebol acaba por ser a imagem do nosso país. E o nosso país está doente e espero que esta crise seja uma oportunidade de regeneração de valores e de princípios, que se foram perdendo.
É difícil sensibilizar os veteranos para a prática do desporto, neste caso do futebol, ou, pelo contrário, estas pessoas estão despertas para a importância da atividade física?

Qualquer cidadão deve praticar desporto, até porque as nossas cidades e vilas estão cada vez mais ocupadas pelo betão e os espaços onde, noutros tempos, tínhamos a oportunidade de desenvolver a nossa capacidade física de forma harmoniosa desapareceram. Face a isto, nada como continuar a manter uma atividade que permita uma vida mais saudável e o desporto é, porventura, uma das saídas para que isto possa acontecer.
Tem conhecimento da realidade do desporto que se vai realizando e praticando nos Açores e na Terceira, até porque a última época foi rica em títulos, alguns dos quais nos mais altos patamares competitivos?

Penso que o futebol açoriano tem de fazer apostas concretas e por objetivos. Os Açores marcam o desporto nacional noutras modalidades mais do que o futebol. O Santa Clara é o clube de maior referência nos últimos anos e claudicou por duas ou três vezes naquele que era o objetivo de subida. Na minha opinião, os Açores têm equipas a mais noutros escalões. Desgasta-se, desgasta verbas e não consegue ter uma equipa de referência no futebol da 1.ª Divisão. E faz falta aos Açores, até como veículo dinamizador. A Madeira fá-lo, mas também as cidades do Porto, Setúbal, Guimarães ou Braga. Ou seja, uma equipa que fosse uma espécie de cartaz turístico e de divulgação da própria região. Por outro lado, uma equipa na 1.ª Divisão também motivaria os açorianos para a presença nos estádios. Faço votos que uma equipa dos Açores rapidamente consiga aglutinar condições para poder estar na 1.ª Divisão.
Fonte: Diário Insular

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