quinta-feira, 30 de abril de 2009

Decisão da Organização Mundial de Saúde

O balanço de infectados por todo o Mundo aumentou para um total de 257 pessoas (Justin Lane, EPA)
Gripe suína passa a ser designada como Gripe A
A Organização Mundial de Saúde (OMS) defendeu esta quinta-feira que não vislumbra qualquer razão para elevar ao nível mais alto (6) o alerta relativo ao actual surto de gripe, num dia em que decidiu igualmente deixar de utilizar a designação de gripe suína para referir como Gripe A (Influenza A: H1N1) a doença que actualmente ameaça o planeta com uma pandemia iminente.
De acordo com a OMS, não há evidência que justifique neste momento a alteração do nível de alerta de 5 (estado pré-pandémico) para 6, o último da escala da agência das Nações Unidas e que oficializa a situação de pandemia. A determinação da OMS foi transmitida durante uma declaração do seu número dois, Keiji Fukuda.
Nesta comunicação aos jornalistas, Fukuda avançou com a indicação de que os laboratórios suíços Roche estavam a acelerar a produção do medicamento anti-viral Tamiflu, designação comercial do genérico oseltamivir, droga que se revelou já capaz de fazer face ao H1N1, vírus que está na base do actual surto de gripe.
De acordo com o vice-director-geral, a própria agência já disponibilizou parte do seu stock de Tamiflu aos países que declaradamente mais necessitam deste medicamento.
Fim da gripe suína
Também esta tarde, a OMS decidiu alterar a designação que tem vindo a ser dada ao actual surto de gripe. A doença até agora chamada de "gripe suína" deixa assim de ter esta designação para passar a ser tratada por "gripe A" (vírus H1N1).
O porta-voz da OMS Dick Thompson esclareceu que a agência tomou esta decisão após ter escutado as preocupações do sector agrário e dos criadores de animais, que manifestaram preocupação pela confusão que a anterior designação estava a suscitar junto dos consumidores.
Entretanto, a agência das Nações Unidas para a Saúde actualizou a contagem de casos da agora influenza A para 257, uma subida significativa face aos 148 casos confirmados até ontem.
Alteração vai de encontro ao desejo de criadores portugueses
A alteração do nome da doença vem ao encontro dos apelos que durante os últimos dias têm sido feitos pelos criadores portugueses, nomeadamente dos criadores de porco de raça alentejana, que ansiavam por uma designação que evitasse futuros prejuízos para o sector.
Aos criadores portugueses juntou-se ainda o ministro da Agricultura com o argumento de que esta gripe "não é uma doença do foro animal". Jaime Silva acrescentou, já hoje, que "não existe qualquer problema em consumir carne de porco"."Não se trata de uma gripe suína, a própria Organização Mundial de Saúde caiu no erro de apelidá-la dessa maneira", lamentou Jaime Silva, reforçando que se trata de uma "gripe humana com origem humana, que foi transmitida aos suínos e que depois voltou para o homem".
Numa solução pouco diplomática, alguns produtores chegaram a defender a designação de "gripe mexicana", solução que o Governo do México também veio recusar no início da semana.

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