domingo, 30 de novembro de 2008

Neve em Portugal: A tentação do manto branco


Neve pinta nove distritos portugueses
"Alerta amarelo" pouco ou nada quer dizer, além da normalidade invernal que vai chegando. Mas a palavra "alerta" assusta, o Norte do mapa português está muito amarelo e o mau tempo causa calafrios aos desprevenidos.
Mais ou menos de meio do país para cima só no distrito de Aveiro, à míngua de terras suficientemente elevadas, não havia alerta de neve. E o panorama de ontem, dado pelo Instituto de Meteorologia, permanece hoje intacto, prevendo-se que os céus pintem de branco fragmentos das circunscrições administrativas de Viana do Castelo, Braga, Vila Real, Bragança, Porto, Viseu, Guarda, Coimbra e Castelo Branco. Houve ontem, nalguns locais, pessoas apanhadas desprevenidas e isoladas pelos nevões, mas as situações foram sendo resolvidas.

Aqui e ali, estradas foram sendo cortadas, devido à neve, sendo aconselhável, a quem hoje queira aventurar-se na estrada, a recolha de informações actualizadas. O IP4, no Marão, a A7, entre Vila Pouca de Aguiar e Ribeira de Pena, e todos os acessos à serra da Estrela são alguns entre muitos outros exemplos, alguns dos quais foram sendo resolvidos.
Os casos mais problemáticos foram aqueles em que pessoas ficaram retidas pela neve que ia caindo desde anteontem. Com máquinas de rasto foi possível abrir caminho ao autocarro de 30 professores matosinhenses bloqueado em S. Pedro do Sul (ver peça na página seguinte), mas o caso dos dois guardas do parque eólico da serra de Montemuro (distrito de Viseu) foi mais complicado. Os homens ("fisicamente bem", segundo fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro de Viseu) pediram ajuda já perto da uma da tarde, alertando que tinham comida e aquecimento para 24 horas. A cargo dos bombeiros de Castro Daire, o resgate foi dificultado pelo excesso de neve, tendo sido necessário deslocar para o local dois motociclos dos bombeiros de Seia.

Houve povoações isoladas, como foi o caso de Castro Laboreiro (concelho de Melgaço), ou semi-isoladas, assim sucedeu com Tourém (Montalegre), onde apenas era possível aceder a partir de Espanha, atendendo a que a neve e o gelo tornaram intransitável o acesso por Pitões das Júnias. Quedas de árvores e de uma linha de alta tensão, a par de alguns acidentes rodoviários, foram outros problemas vividos na região.
Em regiões onde a neve não é assim tão habitual, a falta de meios ou de rotinas para lidar com os nevões dificultou as coisas, algo que não sucedeu, por exemplo. Nos distritos de Bragança e da Guarda.

No Nordeste transmontano, a aldeia de Montesinho, que havia estado isolada, voltou a estar acessível pela EN 103-7, depois de para aí ter sido deslocado um limpa-neves, e outras estradas, como a EN 206, que liga Bragança a Torre de Dona Chama (Mirandela), regressou também à normalidade. No caso da Guarda, excluindo as estradas que cruzam a serra da Estrela, o abrandamento da queda de neve, em relação à madrugada de sábado, e a resolução dos problemas pontuais que havia tornou o dia de ontem perfeitamente normal, excepção feita ao frio, a que as gentes estão bem habituadas.
O frio generalizado permanecerá, segundo o Instituto de Meteorologia, até quarta-feira. Porém, mesmo depois disso, espera-se que regresse a queda de neve acima dos 1300 metros de altitude, em especial na serra da Estrela. Além da neve, que justifica a prevenção nos nove distritos atrás referidos, a agitação marítima estende o alerta amarelo a toda a costa do continente.
* com GLÓRIA LOPES, LUÍS MARTINS,, PEDRO VILA-CHÃ E LUSA
PEDRO OLAVO SIMÕES *

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